O ministro das Finanças grego, Gikas Jardúvelis, afirmou esta segunda-feira que a troika de credores regressará a Atenas em princípios de janeiro para terminar a quinta avaliação do programa de resgate, que concluirá antes do Eurogrupo de 26 de janeiro.

Jardúvelis fez este anúncio depois de uma reunião com o primeiro-ministro, Antonis Samaras, nota a Lusa.

A atual revisão do programa grego foi interrompida em outubro devido ao desacordo entre os representantes da troika e o executivo grego sobre um 'buraco' financeiro em 2015, que Atenas nega e os credores estimam entre 2.600 e 3.600 milhões de euros.

A 8 de dezembro último o Eurogrupo aprovou uma extensão de dois meses do programa de resgate grego, cuja parte europeia vencia no final deste ano, para que o governo e os credores chegassem a um acordo e para que a Grécia não perca os 1.800 milhões de euros da última tranche que ainda está pendente no Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).

Jardúvelis advertiu, contudo, numa entrevista concedida hoje ao diário financeiro Naftemporiki que se o Parlamento não conseguir eleger um novo Presidente da República, a Grécia terá sérios problemas de liquidez a partir de fevereiro.

«Se o Parlamento eleger o Presidente, a avaliação ficará terminada em finais de janeiro e a partir do princípio de fevereiro a Grécia receberá até 7.000 milhões de euros. Se não houver governo haverá um buraco financeiro sério», sublinhou.

O ministro das Finanças destacou, mesmo assim, que o 'buraco' financeiro «será ainda mais grave se das eleições sair um governo que opte pela confrontação com a Europa», numa alusão a uma vitória eleitoral do partido de esquerda grego Syriza.

Jardúvelis instou os partidos a moderarem as posturas para que, em caso de eleições antecipadas em janeiro, as turbulências nos mercados sejam limitadas.

O governo grego antecipou para 17 de dezembro as eleições presidenciais, inicialmente previstas para finais de janeiro.

Para que Stavros Dimas, o candidato do governo, seja eleito na próxima quarta-feira são necessários 200 votos de um total de 300 que compõem o Parlamento.

A coligação governamental apenas conta com 155 lugares e no caso da primeira eleição não correr bem haverá uma segunda a 23 de dezembro e mesmo uma terceira a 29 de dezembro, que poderia ficar resolvida com apenas 180 votos.

Se a terceira eleição fracassar, a Constituição grega estabelece a convocatória de eleições gerais antecipadas, cujas sondagens até ao momento têm sido encabeçadas pelo Syriza.