Os sindicatos gregos dos setores privado e público apelaram esta quarta-feira à greve geral no dia 16 de julho contra um novo plano de cortes no setor público, previsto pelo Governo em troca de empréstimos da UE e do FMI.

Os sindicatos GSEE e Adedy decidiram, numa reunião de urgência, apelar «a uma greve geral de 24 horas no dia 16 de julho» para protestar contra o projeto de lei sobre as demissões no setor público, segundo um comunicado comum hoje divulgado e citado pela Lusa.

O Governo conservador apresentou, na terça-feira, no parlamento um projeto de lei que prevê a «redistribuição» de postos de trabalho, provocando um grande protesto.

O ministro das Finanças grego, Yannis Stournaras, pediu ao parlamento para votar este projeto antes de 19 de julho, para permitir que a Grécia receba a primeira tranche do plano de resgate acordado com a União Europeia (UE)e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O último plano de redução de efetivos, que se traduz em supressão dos postos de trabalho no setor da educação e dos serviços municipais, ainda está fresco na memória dos gregos, que vivem o seu quarto ano de austeridade e um recorde nos números do desemprego.

Na segunda-feira, a União Europeia e o FMI chegaram a acordo para desbloquear uma nova tranche de 6,8 mil milhões de euros de ajuda à Grécia, que serão entregues de forma faseada para assegurar o cumprimento das medidas negociadas previamente.

A Zona Euro comprometeu-se a entregar, no final de julho, 2,5 mil milhões provenientes do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), enquanto os bancos centrais europeus vão restituir a Atenas 2 mil milhões correspondentes a juros cobrados sobre a dívida grega (1,5 mil milhões em julho e 500 milhões em outubro).

O Fundo Monetário Internacional (FMI), outro credor da Grécia, deve pronunciar-se, no final de julho, sobre mais um empréstimo de 1,8 mil milhões de euros.

Os empréstimos vão depender dos esforços de Atenas em matéria de reformas, nomeadamente no que diz respeito à diminuição da sua administração pública, estando previsto o fim de 4 mil empregos públicos até ao fim do ano e a redistribuição de outros 25 mil funcionários públicos.