Talvez à terceira seja de vez. A reunião do Eurogrupo desta segunda-feira voltou a terminar sem um acordo alcançado para o futuro da Grécia. O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, tentou um entendimento com os parceiros europeus, mas não passou disso mesmo, de uma tentativa.

Fonte do governo grego entendeu que a primeira proposta provisória apresentada pelo Eurogrupo é pior do que a proposta da semana passada. Essa proposta quer a continuação do atual programa e o governo grego diz que isso é «absurdo».

Grécia e parceiros estão inflexíveis. O Eurogrupo queria flexibilizar o atual programa, mas o governo de Atenas recusou. Em cima da mesa estava a extensão do programa de resgate por mais seis meses.

Segundo o correspondente da TVI em Bruxelas, Pedro Moreira, a reunião dos ministros das Finanças da zona euro terminou de forma «abrupta», depois da proposta ter sido distribuída aos jornalistas e tornada pública.

E a verdade é que deste encontro não era esperado muito. Já esta manhã, o ministro ministro das Finanças alemão mostrou-se «muito cético» sobre a possibilidade de chegar hoje a acordo com a Grécia e lamentou mesmo que «os gregos tenham eleito um governo que se comporta de maneira irresponsável».

A reunião desta sexta-feira era aguardada com muita expetativa, depois de o anterior encontro do Eurogrupo e de a cimeira de líderes da última quinta-feira terem servido essencialmente para Varoufakis e o novo primeiro-ministro, Alexis Tsipras, apresentarem as posições, rejeitando o programa com a troika ainda em curso. 

As autoridades gregas aceitaram no final da passada semana discutir questões técnicas com as instituições que compõem a troika, trabalho que prosseguiu ao longo do fim de semana. 

Atenas pretende um acordo de transição para um novo programa, comprometendo-se com reformas distintas das exigidas pela troika, e reclama uma renegociação do pagamento da dívida, mas, do outro lado, vários Estados-membros, com a Alemanha à cabeça, têm-se mostrado inflexíveis quanto à necessidade de a Grécia respeitar os compromissos assumidos anteriormente. 

Um acordo é urgente, em virtude de o atual programa de resgate à Grécia expirar a 28 de fevereiro, e o país não estar ainda em condições de regressar de forma autónoma ao financiamento nos mercados.

O Eurogrupo deverá voltar a reunir na sexta-feira ou no início da próxima semana.