A agência de rating Moody's afirmou esta terça-feira que a qualidade das dívidas públicas dos países da zona euro se estabilizou, estando agora 15 dos 19 Estados-membros com perspetiva estável.

No entanto, a Moody´s sublinha que persistem riscos, designadamente provenientes da Grécia.

Num relatório hoje divulgado, a Moody´s afirma que o facto de as previsões para a maioria dos países da zona euro ser estável permite equilibrar a recuperação económica moderada em curso.

A recuperação está a ser sustentada por preços baixos de matérias-primas e pelo impacto da compra de ativos pelo Banco Central Europeu (BCE), diz a Moody´s.

A qualidade creditícia estabilizou na zona euro e depois de revisões em alta das notações em 2014, agora 15 dos 19 países da zona da moeda comum têm uma perspetiva estável.

As perspetivas para as notações de Espanha (Baa2) e da Lituânia (Baa1) são positivas, enquanto as de França (Aa1) são negativas e as da Grécia (Caa1) estão sob vigilância para possivelmente serem revistas em baixa, indica a agência de rating.

«Em geral vemos apenas um potencial limitado para que as notações da dívida soberana na zona euro melhorem a partir dos níveis atuais», sublinhou a vice-presidente da Moody's, Kathrin Muehlbronner.

«As perspetivas na maioria estáveis refletem as nossas previsões para uma recuperação económica moderada este ano, bem como mais alguns progressos na redução dos défices públicos em muitos países», adiantou.

No entanto, a agência indica que a maior parte da melhoria fiscal esperada para este ano se deve ao ressurgimento do crescimento mais do que à adoção de medidas ativas e será na maioria dos casos mais moderada.

A dívida pública continuará a aumentar na maioria dos países da região, um fator chave que trava a melhoria das notações, refere a agência, adiantando que «apenas quatro Estados registarão reduções dos rácios da dívida este ano», segundo Muehlbronner.

Contudo, para a Moody's os riscos para baixar as perspetivas creditícias da zona euro persistem.

A Moody´s refere que se a Grécia abandonasse o euro isso «poderia ter ainda sérias consequências para a zona euro no seu conjunto e a periferia em particular».

Tal cenário «traria inevitavelmente questões sobre que pressões poderiam provocar a saída de outros países da união monetária, que foi desenhada para ser indivisível», indica a Moody´s.

A agência afirma que «níveis de dívida persistentemente elevados deixariam uma série de dívidas soberanas expostas a mais choques para a confiança e o crescimento».