A chanceler alemã, Angela Merkel, insistiu esta quarta-feira que o programa de assistência financeira à Grécia exige em troca um compromisso do Governo grego com a aplicação das reformas exigidas pelos credores internacionais.

«A solidariedade e os esforços que têm de fazer os países são duas faces da mesma moeda», disse Merkel numa ação do seu partido, a União Cristã-Democrata (CDU) em Demmien, leste do país.

Merkel sublinhou que a UE demonstrou a sua solidariedade com países em dificuldades e mencionou a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, mas acrescentou que «a solidariedade não é um caminho de uma única direção».

O governo alemão manteve até agora a sua posição de que caso a Grécia pretenda continuar a receber empréstimos financeiros dos seus parceiros europeus, tem de pedir um prolongamento do plano de resgate e renovar o seu compromisso com as reformas.

O ministro da Economia e vice-chanceler, Sigmar Gabriel, líder do Partido social-democrata (SPD), disse também hoje que apesar de terem de ser respeitados os sacrifícios dos gregos nos últimos anos, não se pode esperar que os contribuintes do resto da Europa paguem as promessas eleitorais do seu novo Governo, liderado por Alexis Tsipras.

O Governo de coligação grego, liderado pelo partido da esquerda radical Syriza, anunciou que apresentará na quinta-feira um pedido para o prolongamento do programa de «crédito», mas não precisou se vai comprometer-se com as reformas exigidas por Bruxelas e Berlim.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, contestou esta interpretação ao referir que a Grécia mantém com os seus parceiros europeus «um programa de ajuda e não um programa de créditos», e que inclui como contrapartida a aplicação de reformas.