Angela Merkel já estabeleceu um prazo: quer um acordo com a Grécia antes da abertura dos mercados na segunda-feira. O deadline foi transmitido numa reunião à porta fechada com o Partido Popular Europeu, antes do Conselho Europeu desta quinta-feira, avança a agência Reuters, citando dois participantes na dita reunião, sem no entanto revelar as suas identidades.

Isto depois de mais um Eurogrupo ter acabado hoje ainda sem qualquer consenso e decisão.

A chanceler alemã deixou ainda uma garantia: "Não seremos chantageados pela Grécia".

Os ministros das Finanças da zona euro decidiram retomar as negociações no sábado de manhã. Wolfgang Schauble, o detentor da pasta na Alemanha, saiu das negociações de hoje com um claro tom de pessimismo, dizendo que " a Grécia deu um passo atrás". 

A bola está, outra vez, do lado de Alexis Tsipras e do seu governo. As autoridades helénicas terão de apresentar uma nova proposta para tentar agradar aos credores internacionais e assim conseguir o acordo que permitirá a Atenas receber a última fatia do segundo resgate, no valor de 7,2 mil milhões de euros, e pagar 1,6 mil milhões de euros ao FMI daqui a seis dias.

30 de junho é, de facto, a data limite para o (in)cumprimento.

Até ao último minuto, os credores internacionais, e muito em especial o FMI, querem forçar a Grécia a cortes adicionais nas pensões e a reduzir os impostos para as empresas.  

A proposta de Atenas, na segunda-feira, acabou rejeitada pelos credores, embora até se tenha chegado a falar de um maior clima de aceitação às novas medidas gregas. 


                 
                                     (Yanis Varoufakis e Christine Lagarde, Foto: Reuters)
                             Clique na imagem para conhecer as medidas rejeitadas pelo FMI

A   contraproposta das instituições anteriormente designadas por troika chegou e dessa vez foi a Grécia a recusá-las.  O líder parlamentar do Syriza, Nikos Filis, classificou mesmo  de “chantagem” o que vinha nesse documento.

Dois dias depois, ontem,  portanto, novo Eurogrupo, e novamente falta de acordo. A Zona Euro lá deu "mais umas horas" à Grécia. O presidente do Eurogrupo, Jeoren Dijsselbloem até disse que os ministros da Zona Euro estavam dispostos a trabalhar durante a noite, se isso significasse um acordo iria ser alcançado. Não aconteceu.

Ao final da tarde desta quinta-feira, sublinhou que as "portas continuam abertas", reconhecendo, no entanto, que a distância entre as propostas gregas e dos credores ainda é grande.

À luz da suspensão da reunião de hoje e do novo adiamento que foi decidido, o prazo está, nunca como antes, a esgotar-se. O tudo ou nada joga-se  - será mesmo? - no sábado. 30 de junho é, recorde-se, terça-feira.


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