Afinal, não é só o governo grego que defende o “não” no referendo do próximo domingo sobre as exigências dos credores internacionais em troca da ajuda financeira ao país.

Joseph Stiglitz e Paul Krugman, os dois vencedores do prémio Nobel de Economia, opõem-se à 'imposição' de mais medidas de austeridade por parte de Atenas

Os dois economistas não poupam críticas à troika, equipa formada pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

Krugman afirma que a “ Grécia deve votar 'não'” e que “o Governo grego deve estar preparado, se necessário, para sair do euro".

"O emprego caiu mais de 25% e as pensões têm sido cortadas abruptamente. Se a isto se somarem todas as medidas de austeridade, fizeram mais do que o suficiente para eliminar o défice”, adiantou.


Já Stiglitz reconhece que "nenhuma alternativa vai ser fácil e ambas as decisões vão implicar riscos". Se ganhar o "sim", isso vai significar "uma depressão quase sem fim", alerta.

Considera este economista que, se ganhar o ‘não’ isso "pelo menos ia abrir a possibilidade de a Grécia, com a sua forte tradição democrática, ter a oportunidade de decidir o seu próprio destino".

Stiglitz conclui dizendo que agora “os gregos podem ganhar a oportunidade de desenhar um futuro que, ainda que não seja tão bom como o do passado, é certo que será mais esperançoso do que a tortura sem consciência do presente”.

Recorde-se que o governo grego rejeitou as propostas dos credores e marcou um referendo para o dia 5 de julho. Dado o fracasso das negociações, Atenas está a um passo do incumprimento, uma vez que hoje termina o prazo para o pagamento do reembolso de 1.600 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional.