“Profundamente triste” e “traído”. É assim que o presidente da Comissão Europeia se sente com o acentuar da crise grega nos últimos dias.
 
Numa conferência de imprensa em que começou por citar o ex-presidente francês Valéry Giscard d'Estaing - “Não quero que Platão jogue na segunda divisão” -, Jean-Claude Juncker foi muito crítico com a atuação do governo grego.
 

“Para mim, a saída da Grécia do euro nunca foi nem será uma opção”.


O presidente da Comissão Europeia afirmou-se ainda “entristecido com o espetáculo que a Europa deu no passado sábado”, considerando que a rutura das negociações sobre a Grécia no Eurogrupo constitui um rude golpe na consciência europeia.


"Não" no referendo é não à União Europeia


Jean-Claude Juncker disse ainda que uma vitória do “não” no referendo de domingo na Grécia é também um não à União Europeia (UE).


"Um 'não' significaria, independentemente da questão finamente colocada, que a Grécia diz não à Europa", disse Juncker, numa conferência de imprensa, em Bruxelas, apelando aos gregos para votarem “sim”.
 


Grécia em incumprimento?


O risco de Atenas sair do euro é cada vez maior. Após o colapso das negociações com os credores, a Grécia dificilmente conseguirá reembolsar 1.600 milhões de euros ao FMI amanhã, terça feira, entrando em default com esta instituição.

Alexis Tsipras, o primeiro-ministro grego, na sexta-feira rejeitou as propostas dos credores, que incluíam cortes na pensões e aumentos de impostos, e surpreendeu ao convocar um referendo a 5 de Julho, para perguntar aos gregos se aceitam ou não as propostas.

O Eurogrupo reagiu com força, rejeitando o pedido grego de prolongar o resgate ao país, que acaba amanhã, até ao referendo, e retirando da mesa as propostas de reformas.

O Banco Central Europeu decidiu ontem manter a Assistência de Liquidez de Emergência (ELA) para Atenas ao nível actual, com uma nova decisão sobre o assunto agendada para uma reunião dos Governadores na quarta-feira.

Com os gregos a formarem filas para levantar dinheiro dos bancos, Tsipras anunciou o controlo de capitais, limitando levantamentos nas caixas automáticas a 60 euros diários a partir desta segunda-feira, impondo também o fecho dos bancos do país e a Bolsa de Atenas até dia 6 de Julho.