O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse esta quinta-feira em entrevista ao francês «Le Figaro» que, na Grécia, «não se coloca a questão de cancelar a dívida». «Os outros países não vão aceitá-lo», alertou.
 
Juncker admite que são possíveis «arranjos», mas que está fora de questão «alterar fundamentalmente» o que já foi acordado.
 
A Grécia «também deve respeitar outros, a opinião pública e os parlamentos do resto da Europa», referiu.
 
Também esta manhã, o ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, advertiu que a alternância política na Grécia e as mudanças decididas pelo novo governo de Alexis Tsipras «não podem ser feitas à custa» dos outros europeus.

«Claro que qualquer democrata deve aceitar uma decisão democrática (do povo grego), tal como deve aceitar o direito do novo governo grego a definir uma nova direção», declarou o ministro, vice-chanceler social-democrata do executivo de Angela Merkel, perante os deputados no parlamento alemão (Bundestag).

«Mas também é verdade que os cidadãos europeus têm o direito de esperar que as mudanças na política grega não sejam feitas à sua custa», acrescentou.

«Queremos manter a Grécia na eurozona, mas também queremos que a Grécia cumpra os compromissos que assumiu», sublinhou.

Vários membros do governo alemão têm insistido nos últimos dias que o princípio da relação da UE com a Grécia tem que continuar a ser ajuda em troca de reformas e consolidação económica, recusando a possibilidade de renegociar a dívida grega.

Na quarta-feira, o novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirmou que uma das prioridades do novo Governo será “a renegociação da dívida com os seus parceiros, com vista a uma solução benéfica para todos”.

O programa económico do Syriza, que venceu as eleições legislativas gregas no domingo, prevê o fim das medidas de austeridade e a renegociação da dívida pública da Grécia.

A dívida grega eleva-se a mais de 315 mil milhões de euros. O Eurostat fala em 315,5 mil milhões de euros no final de setembro de 2014, o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) indica 324 mil milhões de euros.