O Governo português considera que estão criadas as condições para a negociação de um terceiro programa de resgate à Grécia e espera que rapidamente se caminhe para a reabertura do sistema financeiro grego.

Esta posição foi transmitida pelo ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros.

"Será uma decisão que terá de ser tomada a partir da semana que vem por parte do Banco Central Europeu (BCE), mas espero que possa caminhar-se rapidamente para a reabertura do sistema financeiro na Grécia, e com isso restituir o funcionamento normal à economia", concluiu.


Questionado sobre a tese de que seria melhor para a Grécia uma saída temporária da zona euro, Marques Guedes não quis entrar nesse debate: "Relativamente à Grécia, o que não tem faltado são opiniões e declarações num sentido, no outro, voltando atrás. Temos ouvido de tudo".

O ministro da Presidência preferiu destacar a aprovação pelo parlamento grego das "condições de viabilização" de um terceiro programa de resgate, e o acordo hoje alcançado no Eurogrupo, através de teleconferência, para um empréstimo intercalar de sete mil milhões de euros à Grécia.

Quanto a esse chamado "financiamento-ponte" à Grécia, Marques Guedes disse que permitirá "que, a partir de segunda-feira, os pagamentos possam ser feitos, quer junto do BCE, quer junto do Fundo Monetário Internacional (FMI)", por parte do Estado grego.

O ministro salientou que, "para que o FMI possa entrar no terceiro programa, face aos estatutos da própria organização, é preciso que o pagamento da tranche que está vencida seja realizado".

"A partir daí, ficam criadas todas as condições, neste fim de semana, para que se possa proceder rapidamente à negociação do programa por parte das autoridades gregas com as instituições, e para que possa regressar alguma normalidade - espero que muita normalidade - à Grécia e à economia grega", considerou, de acordo com a Lusa.