O Fundo Monetário Internacional (FMI) recusou esta quarta-feira ter mantido qualquer «discussão» com a Grécia em torno da renegociação da dívida daquele país à instituição, que integra a troika.

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«Não houve qualquer discussão com as autoridades relativamente a uma alteração das condições gerais» da dívida, afirmou um porta-voz do FMI, numa reação a declarações do Governo grego propondo ao FMI alterações nos títulos da dívida por este detidos.

Numa entrevista publicada hoje em Itália, nota a Lusa, o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, disse ter «iniciado negociações» com o FMI para substituir os títulos da dívida que atualmente detém por títulos mais recentes, «à taxa de mercado», cujo reembolso estaria associado à retoma de um crescimento «sólido» do país.

Desde que chegou ao Governo, o partido grego de esquerda radical Syriza tem vindo a manifestar a intenção de renegociar a dívida pública do país com a União Europeia e com o FMI, que emprestaram à Grécia cerca de 240 mil milhões de euros na sequência de dois programas de ajuda concluídos em 2010 e 2012.

«Há um quadro geral de discussão para gerir a dívida no programa atual», reiterou o porta-voz do FMI num breve comunicado.

Segundo dados disponíveis no sítio do FMI, a Grécia terá que reembolsar, no total, perto de 25 mil milhões de euros à instituição, que, em teoria, beneficia de um estatuto de credor preferencial que lhe garante ser reembolsada na totalidade pelos países sujeitos a assistência financeira e impede, à partida, qualquer reestruturação da sua dívida.