O membro francês do comité executivo do Banco Central europeu, Benoit Coeuré, afirmou esta terça-feira que o programa para comprar dívida soberana está pronto, sublinhando que isto não implica qualquer decisão na próxima semana nem qualquer influência das eleições na Grécia.

Numa entrevista ao diário alemão Die Welt, Coeuré explicou que o debate no seio do BCE «está muito avançado» depois de terem sido estudados «muitos pormenores técnicos» nas últimas semanas.

«Estamos disponíveis para tomar uma decisão no próximo dia 22 de janeiro, o que não quer dizer que vamos decidir» naquele dia, sublinhou referindo-se à próxima reunião do Conselho de Governadores do BCE.
 
Coeuré analisou na entrevista a importância das próximas eleições na Grécia, mas assegurou que não têm repercussões nas decisões do BCE.

As eleições gregas «não nos influenciam absolutamente. Umas eleições ali não mudam o andamento da política monetária», afirmou.

A Grécia enfrenta «umas eleições decisivas» que podem implicar «grandes mudanças», mas o BCE «não se intromete na decisão soberana dos votantes», insistiu antes de sublinhar que a zona euro é agora «muito mais forte» e o risco de contágio a partir do mercado financeiro grego é portanto «substancialmente menor».

Coeuré recusou falar sobre um eventual perdão da dívida grega nas mãos do BCE e de um alargamento dos prazos, porque «simplesmente não é permitido» pelos tratados e não é uma questão que inclua «concessões ou interpretações».

Evitando mesmo assim especular sobre a possibilidade de que o novo governo grego decida unilateralmente esse perdão, Coeuré afirmou que Atenas tem «grande interesse» em manter-se na zona euro e em continuar as reformas.
Segundo Coeuré, não há qualquer debate «sério» sobre uma eventual saída do país da zona euro porque a «Grécia precisa do euro e o euro precisa da Grécia».

À margem das decisões que venham a ser adotadas pelo BCE, Coeuré sublinhou que as reformas estruturais na Europa são «muito necessárias», como demonstra, por exemplo, a influência nula que tem a política monetária em problemas como o do desemprego estrutural.