O Banco Central Europeu (BCE) pediu por escrito aos bancos gregos para deixarem de comprar dívida emitida por Atenas porque aumenta o risco da solidez financeira de cada um, indicou esta quarta-feira uma fonte próxima do processo, citada pela AFP.

Encarregado desde novembro do ano passado pela supervisão dos bancos europeus no âmbito do mandato de política monetária, o BCE vigia o «risco do balanço (dos bancos gregos) ficar submerso em ativos de má qualidade», explicou esta fonte, que pediu para não ser identificada.

O BCE intimou os bancos gregos «a não aumentarem os respetivos riscos» através de um comunicado enviado esta semana.

«É para ser encarado a sério» pelos bancos, precisou a fonte.


Os jornais britânico Financial Times e norte-americano Wall Street Journal já tinham referido que o BCE enviou uma carta na terça-feira aos bancos gregos, mas a entidade não comentou a informação.

Atenas tem escoado principalmente para os bancos gregos títulos de dívida pública emitidos com intervalos regulares que servem para reembolsar os precedentes e manter-se à tona financeiramente, numa altura em que os cofres do Estado estão quase vazios.

A dívida grega é considerada pelas agências de rating (avaliação) como um investimento «em decomposição».

No início de fevereiro, o BCE deixou de aceitar da parte dos bancos gregos obrigações soberanas gregas como garantia em operações de empréstimos semanais, uma importante fonte de financiamento para os bancos gregos.

Antes desta decisão, os bancos gregos beneficiavam de um regime de favor que lhes permitia utilizar estes títulos como garantia, mas as incertezas em relação à continuação da adoção das reformas por Atenas desde a chegada ao poder em finais de janeiro do Governo de Alexis Tsipras levaram o BCE a cortar este privilégio.

Atualmente, os bancos gregos refinanciam-se junto do Banco da Grécia, com empréstimos de urgência, mais caros, no âmbito do mecanismo denominado «ELA» aprovado pelo BCE.

Atenas apelou em várias ocasiões ao BCE para aliviar o corte das fontes de financiamento, mas o presidente do BCE, Mario Draghi, defende que já faz muito pela Grécia e que não está disposto a deixar de cumprir as regras.