O Banco Central Europeu (BCE) está disponível para emprestar até 60 mil milhões de euros como medida de urgência aos bancos gregos, noticia hoje a AFP citando uma fonte do setor bancário. A decisão surge um dia depois do banco central ter anunciado que vai deixar de aceitar títulos de dívida pública grega nas suas operações de financiamento, ou seja, vai deixar de aceitar dívida pública do país como garantia de empréstimos.
 
A dispensa de requisitos mínimos que estava em vigor até ontem permitia aos bancos usar títulos de dívida grega nas operações de política monetária do BCE, ainda que não cumprissem os requisitos mínimos de rating, porque a Grécia estava sob programa de resgate.  

Como deixou de ser claro se a Grécia terá que recorrer a novo programa de resgate europeu, o BCE deixou de aceitar os títulos gregos como garantia nas suas operações de refinanciamento.  

Esses títulos deixam de ser aceites como garantia a 11 de fevereiro, quando termina o atual leilão semanal do BCE. 

Esta tarde, e menos de 12 horas depois de ter recebido este aviso do BCE, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, contestou veemente uma mensagem que parece dirigida ao presidente do BCE, Mario Draghi: «A Grécia não aceitará mais ordens, especialmente ordens recebidas por correio eletrónico».

Na primeira sessão do grupo parlamentar Syriza, o primeiro-ministro do país insistiu que se compromete, «de uma vez por todas», a pôr fim às políticas de austeridade na União Europeia e a negociar, «com firmeza», um novo acordo para a Grécia. «É tempo de virar a página, não só na Grécia, mas também na Europa», declarou.

Segundo o comunicado do BCE, esta decisão tomada pelo conselho de governadores «está conforme as regras do eurosistema». 
 
Esta é uma notícia animadora para as finanças da Grécia. A decisão de um empréstimo até este montante surge num dia em que o ministro das Finanças alemão e o seu homólogo grego estiveram reunidos em Berlim.

No final do encontro, Wolfgang Schäuble foi claro ao reiterar que os compromissos assumidos pela Grécia são para cumprir e deixou um aviso: «As promessas à custa dos outros não são realistas».

Por seu turno, Varoufakis garantiu que a Grécia «fará de tudo» para evitar um incumprimento e mostrou querer um programa transitório até finais de maio.

Embora sem um acordo claro em vários pontos, ambos são a favor da integração europeia.