A Grécia pagou esta segunda-feira ao Fundo Monetário Internacional 580 milhões de euros correspondentes à terceira tranche do empréstimo que deve pagar àquele organismo em março, assegurou uma fonte do Ministério das Finanças grego, citada pela EFE.

A Grécia tem de pagar ao FMI na próxima sexta-feira a quarta tranche no valor de 350 milhões de euros e outros 460 milhões de euros a 13 de abril.

A 06 de março último, a Grécia devolveu ao FMI a primeira tranche de 310 milhões de euros a 06 de março e a segunda, de 348 milhões de euros, na passada sexta-feira.

Entretanto, na próxima sexta-feira vencem-se 1.600 milhões de euros em Letras do Tesouro que serão substituídas por uma nova emissão destes títulos a três meses que a agência de gestão da dívida pública grega lançará na quarta-feira.

O Governo grego tem de pagar até ao final de abril 2.600 milhões de euros em salários e pensões, outros 2.400 milhões de euros em ajudas sociais e gastos da Segurança Social e 1.100 milhões de euros em juros.

A Grécia enfrenta grandes problemas de liquidez, que o Governo grego não especificou, mas que resultam da decisão do Banco Central Europeu de desde 11 de fevereiro deixar de aceitar os títulos gregos como garantia nas operações ordinárias de refinanciamento, como os leilões semanais.

Os bancos gregos podem conseguir liquidez através do Banco da Grécia, mas à taxa de juro de 1,55%, muito acima da de 0,05% atualmente praticada pelo BCE.

O BCE recusou repetidamente os pedidos do executivo grego para aumentar o teto de emissão de Letras do Tesouro, que está fixado em 15.000 milhões de euros.

No início deste mês, a Grécia colocou 2.100 milhões de euros em letras do Tesouro a três e seis meses a taxas de juro mais elevadas do que as praticadas em leilões precedentes comparáveis.

Desde que a Grécia saiu do mercado primário da dívida só se pode financiar através de leilões de letras do Tesouro, mas com um limite de 15.000 milhões de euros, que já foi alcançado.

Os leilões de março de Letras do Tesouro foram de especial importância porque Atenas enfrenta um mês decisivo em termos de liquidez, com numerosos pagamentos calendarizados e sem poder receber das instituições que formavam a troika ajuda financeira senão quando cumprir uma série de requisitos pendentes.

O acordo alcançado com o Eurogrupo estipula que até ao final de abril, para quando está prevista a realização de uma avaliação das reformas prometidas, a Grécia não obterá os 7.200 milhões de euros que estão pendentes do segundo resgate.

O Governo grego reiterou nos últimos dias que não haverá problemas com os pagamentos dos salários e pensões nem com as devoluções dos empréstimos e espera que a amnistia fiscal que está a preparar melhore a liquidez das arcas públicas.

Esta amnistia prevê que os que têm dívidas ao fisco possam devolver de uma só vez sem pagar juros e as respetivas multas.