
O segundo partido com mais votos nas eleições legislativas da Grécia, o Syriza, foi mandatado para formar governo e já mostrou ao que vem e o que quer: nacionalizar a banca e romper o acordo alcançado com a troika são duas das medidas.
Depois de o partido mais votado nas eleições de domingo, o Nova Democracia, ter admitido que não conseguiria formar governo, é a vez do líder do partido de esquerda radical, Alexis Tsipras, tentar tomar as rédeas à situação e impor condições ao executivo que assinou o memorando de entendimento.
O responsável frisa que o povo grego mostrou que não quer medidas de austeridade e cortes como aqueles que estão estabelecidos no acordo do resgate financeiro.
«O veredicto popular torna claramente o acordo de resgate inválido», disse o mais jovem líder político da Grécia, de 37 anos, citado pela Reuters.
Tsipras anunciou, depois de receber o mandato para formar governo, que chamou Samaras e Venizelos, da Nova Democracia e PASOK, impondo como condição para formarem um governo o envio de novas cartas aos credores institucionais da Grécia em Bruxelas e Washington, dizendo que o país não vai cumprir o acordado.
O líder da esquerda radical solicitou o cancelamento imediato das leis sobre as reformas e sobre o mercado de trabalho e quer que o Estado controle o sistema financeiro.
«Nós garantimos que os depósitos dos cidadãos serão utilizados para o desenvolvimento económico do país e para a recuperação de sua produção», disse o representante do Syriza, Dimitris Stavroulis à rádio Vima.
Os radicais de esquerda dizem que os bancos gregos não precisam de ser recapitalizados, uma vez que têm cerca de 165 mil milhões de euros em depósitos. E se esses bancos forem nacionalizados, os recursos serão alocados como investimento na produção.
A postura intransigente do líder da esquerda radical pode diminuir as já remotas hipóteses de conseguir formar uma coligação.
O país caminha a passos largos para o desgoverno e novas eleições.
Os analistas acreditam que a saída da Grécia é do euro é agora cada vez mais provável.