A Direção de Informação da TVI entende que estas conversas não revelam nenhuma conversa familiar. Não é tratada, em nenhum dos excertos que publicámos até agora, matéria do foro familiar, pessoal ou privado.
 
Pelo contrário: o que revelámos até agora são conversas, editadas, em que se percebe a dinâmica de liderança do Grupo Espírito Santo, o processo de tomada de decisão, a influência dos representantes de cada ramo da família, e as decisões, algumas delas tomadas nas próprias reuniões, que tinham pura e simplesmente a ver com atividades económicas do grupo.
 
A Direção de Informação entende que apesar de uma parte destas conversas ter sido transcrita pelos jornais “Sol” e “i”, a sua gravação sonora confere uma dimensão e uma perceção muito diferente à forma como o grupo foi gerindo a sua situação ao longo do último ano.
 
Continuam várias perguntas por esclarecer: porque razão e a partir de quando foram efetuadas estas gravações? Quantas cópias foram feitas? Quem as conservava e com que finalidade? Porque razão Ricardo Salgado afirmou na comissão de inquérito desconhecer que as reuniões eram gravadas?
 
A Direção da TVI compreende o incómodo de documentos desta natureza serem tornados públicos, mas considera que num eventual conflito de direitos prevalece o contrato com os espectadores e com o jornalismo: a ocultação destas conversas, a partir do momento em que delas tivemos conhecimento, seria, isso sim, pactuar com a opacidade, a falta de rigor e desonrar a verdade e a profissão que exercemos.