Cada reunião do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo começava, sempre, com Ricardo Salgado a pedir para «deixar os telefones fora». O ex-presidente do Banco Espírito Santo liderava a cúpula da família que se reunia na Rua de S. Bernardo, em Lisboa. À porta fechada.

Eram reuniões restritas, gravadas, pelo menos a partir de certa altura. Ricardo Salgado alegou na comissão de inquérito ao BES / GES que não sabia. O seu primo, José Maria Ricciardi, disse que o gravador estava à vista de todos.

As versões são diferentes nesse e noutros pontos mais importantes para o colapso que se verificou em julho de 2014. Mas basta ouvir as gravações a que a TVI teve acesso para se perceber quem comandava e ditava as regras, qual a influência dos representantes de cada ramo da família Espírito Santo e quem ousou contestar (ou não) a liderança de Salgado.

A Direção de Informação da TVI entendeu que era seu dever tornar públicas essas gravações. O que foi relevado até agora são conversas editadas, nada do foro familiar, pessoal ou privado, mas sim sobre as atividades do GES.

Ouvidas já 20 pessoas ligadas ao grupo ou ao banco, esta semana arrancam as primeiras audições de 2015 da comissão de inquérito. Quinta-feira, 9 de janeiro, uma das audições mais aguardadas: será a vez de o contabilista Francisco Machado da Cruz contar a sua versão. O commissaire aux comptes foi acusado por Salgado de ocultar o passivo da Espírito Santo Internacional, que precipitou a derrocada do GES e, por arrasto, do BES.