Os trabalhadores da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) reuniram-se esta sexta-feira com o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, no Ministério da Economia, em Lisboa, onde exigiram a contratação de motoristas em falta.

Em declarações à Lusa, o coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT) da STCP, Pedro Silva, disse que estão em falta «cerca de 150 trabalhadores», explicando que não exigem ao Governo «o número máximo, mas um número mínimo para garantir o serviço público na cidade do Porto, para garantir a segurança dos trabalhadores».

«Viemos aqui na expectativa de que houvesse uma autorização por parte do Governo para a contratualização de motoristas. Saímos daqui completamente defraudados», afirmou Pedro Silva, referindo que o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro «remeteu para a concessão toda a solução para os problemas».

Por parte do secretário de Estado dos Transportes e do Ministério da Economia não foi possível ter qualquer esclarecimento, informando apenas que se tratava de uma reunião de trabalho.

De acordo com Pedro Silva, a STCP não presta atualmente um serviço de qualidade, «não presta um serviço mínimo, uma vez que cerca de 20% do serviço não tem motorista atribuído», explicando que «só este trimestre já foram cerca de 30.000 viagens que não foram efetuadas, durante o ano de 2014 foram cerca de 100.000 viagens, os utentes esperam e desesperam pelos autocarros que não aparecem».

Para o responsável da CT da STCP, «a grave falta de efetivo» tem gerado «agressões, quer verbais, quer físicas, diariamente, nos motoristas, com invasão da sede da empresa por parte de utentes, com bloqueio dos autocarros na via pública».

Na reunião, a CT alertou o secretário de Estado dos Transportes para a responsabilidade «por qualquer acidente grave que haja derivado ao excesso de número de horas que os trabalhadores têm».

Segundo o coordenador da CT da STCP, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, «não pode escamotear a situação», pois «está a par de tudo o que se passa» na empresa, reforçando que «compete-lhe a ele autorizar o Conselho de Administração para a admissão de motoristas, se não o fizer fica a responsabilidade por parte do Governo, porque os trabalhadores têm que ter segurança para trabalhar».

Em relação à subconcessão da empresa STCP, adjudicada ao consórcio espanhol formado pela Ferrocarril Metropolitá de Barcelona (FMB) e Transports Ciutat Comtal (TCC), não foi um assunto muito abordado durante a reunião, contou Pedro Silva, explicando que é um problema que preocupa os trabalhadores, mas o prioritário é resolver «a falta de efetivo e as condições de segurança para os trabalhadores que, neste momento, a empresa não garante».

Na terça-feira, 21 de abril, os trabalhadores da STCP estarão reunidos em plenário, a partir das 09:00, na Estação de Recolha de Francos, no Porto, para decidirem as próximas ações a tomar.

O secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, disse na terça-feira passada, durante a conferência «As Reformas nos Transportes, Infraestruturas e Comunicações», no Porto, que a concessão da STCP resultará numa poupança de 5,8 milhões de euros, ou seja, 58 milhões de euros ao longo dos dez anos, e quis «afastar o fantasma» de que, com a concessão, o serviço vai diminuir.