A CGTP afirmou esta terça-feira que a realidade do desemprego em Portugal apresenta uma taxa real próxima dos 23% no segundo trimestre, mantendo o país com um dos níveis de desemprego mais elevados da União Europeia.

«A realidade do desemprego em Portugal apresenta uma taxa real próxima dos 23%, mantendo o nosso país com níveis de desemprego dos mais elevados de entre os países da União Europeia e da zona euro», refere a central sindical, em comunicado.

A Inter denuncia «que o desemprego jovem se mantém muito elevado e que a maioria dos desempregados não tem acesso a qualquer prestação de desemprego».

Segundo dados relevados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego caiu para os 13,9% no segundo trimestre deste ano, uma queda homóloga de 2,5 pontos percentuais e um recuo de 1,2 pontos face ao trimestre anterior.

Ainda de acordo com as estatísticas do emprego relativas ao segundo trimestre de 2014, neste período, a população desempregada foi de 728,9 mil pessoas, o que representa uma diminuição homóloga de 15,9% e uma queda em cadeia de 7,5%, ou seja, menos 137,9 mil pessoas e menos 59,2 mil pessoas, respetivamente.

A CGTP assinala que o número de trabalhadores «impedidos de participar total ou parcialmente na produção do país é superior a 1,2 milhões de pessoas» e que, «além dos 729 mil desempregados considerados pelo INE como desempregados, há ainda 257 mil inativos disponíveis que não procuram emprego e 252 mil subempregados que trabalham menos tempo do que desejariam».

A estes, acrescenta a CGTP, «há que juntar ainda os inativos à procura de emprego mas não imediatamente disponíveis para trabalhar (28 mil)».

Quanto ao desemprego de longa duração, a central sindical acentua que este atinge mais de 490 mil desempregados, mais de 67% do total, «num contexto em que a proteção no desemprego abrange menos de metade do desemprego oficial, agravando-se no caso dos jovens, especialmente entre os menores de 25 anos que apenas têm acesso às prestações em menos de 10% dos casos».

Salienta igualmente que «há ainda que ter em conta que milhares de portugueses continuam a sair do país anualmente (67 mil em idade ativa desde o segundo trimestre de 2013), havendo outros que passaram à inatividade (a população ativa diminuiu mais de 47 mil)».

Por outro lado, «as chamadas medidas ativas de emprego estão a ser usadas para subsidiar as empresas e criar milhares de trabalhos precários e mal pagos (...) e também como paliativo para o desemprego, nalguns casos substituindo verdadeiros postos de trabalho que deste modo não são criados, nem pagos os correspondentes salários».

«Urge, por isso, pôr termo rapidamente a esta situação», insiste a estrutura sindical.