Os comerciantes têm expetativas positivas para este natal, já que os funcionários públicos começam a receber subsídios de férias na quarta-feira, mas receiam o impacto da austeridade no OE2014, disse esta terça-feira à Lusa o presidente da confederação.

«Os valores que vão ser pagos são, em muitos casos, significativos porque simultaneamente houve um acerto dos descontos» feito durante o ano para o IRS, admitiu à Lusa o presidente da Confederação do Comércio e Serviços, João Vieira Lopes.

O valor extra é, nesta altura, bem-vindo pelos comerciantes, já que significa «mais alguma disponibilidade para gastar» no natal, depois de, nos últimos dois anos, se terem registados quedas médias na ordem dos 10% a 15%, afirmou.

O Diário Económico avança hoje que os subsídios dos funcionários públicos com salários acima dos 600 euros começam a ser pagos na quarta-feira e refere que o Ministério das Finanças garantiu o cumprimento do calendário de pagamentos.

«Ao contrário dos anos anteriores, em que havia uma expetativa completamente negativa, este ano há uma expetativa mista, mas é muito difícil estimar, neste momento, um dado mais realista em relação ao efeito dos subsídios», reconheceu João Vieira Lopes.

«Se, por um lado, poderá haver mais alguma disponibilidade financeira, por outro, não se consegue avaliar o impacto negativo de ameaças como a do documento do FMI ou até a maneira como tem sido encarado pela opinião pública o Orçamento de Estado», explicou o presidente da confederação.

«Eu diria que [o pagamento dos subsídios de férias] vai ser naturalmente positivo em termos de liquidez das famílias, mas parte pode ser anulado face à desconfiança da situação total», concluiu.

O corte dos subsídios foi uma medida anunciada em 2011, quando o primeiro-ministro alegou que o estado das finanças públicas impunha «mais sacrifícios» aos portugueses, mas disse que a medida só iria vigorar naquele ano.

Este ano e face a uma decisão do Tribunal Constitucional, Passos Coelho anunciou que o subsídio de férias seria pago em parte em junho aos funcionários públicos e pensionistas com salários abaixo dos 600 euros enquanto os restantes recebê-lo-iam em novembro.