O secretário de Estado das Comunicações, Sérgio Monteiro, lamentou as dúvidas em relação ao futuro da Portugal Telecom (PT), um ano após o anúncio da fusão com a brasileira Oi, considerando que «não é bom para o país nem para o setor».

«Quando uma empresa com a relevância da PT se vê nesta situação não é bom para o mercado nem para o país; nem para a imagem que quer projetar, nem para o setor em que a empresa está inserida», considerou o governante à margem de um encontro sobre as oportunidades de investimento entre Portugal e o Reino Unido, promovido pelo UK Trade & Investment.

Pouco mais de um ano depois do anúncio da fusão entre a Portugal Telecom e a brasileira Oi, Zeinal Bava, um dos rostos da operação, renunciou à presidência, deixando o futuro da empresa em aberto.

A Oi divulgou na terça-feira à noite que Bava, que tinha assumido a presidência da Oi em junho de 2013, tinha pedido a demissão do cargo, depois de ter abandonado a liderança da PT Portugal em agosto.

Ainda assim, Sérgio Monteiro alertou que não se deve olhar para a árvore, mas antes para a floresta: «Continuamos a ver um setor que tem investido, que tem sido capaz de liderar alguma da recuperação económica».

O secretário de Estado realça que o importante «é criar condições para o setor continuar a desempenhar o peso que tem tido na economia».

Um ano e seis dias depois do anúncio do processo de fusão, o futuro dos ativos da PT está em aberto, já que os protagonistas da operação saíram dos seus cargos nos últimos meses, num efeito dominó provocado pelo investimento de cerca de 900 milhões de euros da operadora portuguesa em papel comercial da Rioforte, do Grupo Espírito Santo, de que a empresa nunca foi reembolsada.

Aliás, os investimentos nas empresas do universo GES ditaram ainda a saída de Ricardo Salgado da presidência do BES este verão, instituição que teve um papel importante na operação de concentração, já que era acionista de referência da PT.

A 02 de outubro de 2013, a PT e Oi assinaram um acordo de intenções para a fusão das empresas, o que resultaria numa entidade única liderada por Zeinal Bava.