O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros afastou hoje no parlamento a hipótese de mutualização da dívida, considerando não haver acordo na União Europeia e que tal afastaria a possibilidade de novos empréstimos, «se necessário for».

«É dificilmente compreensível que se pretenda que nos venham a apoiar e a emprestar em boas condições mais dinheiro, se necessário for, e simultaneamente dizermos que queremos que considerem que não vamos pagar aquilo que vamos solicitar", afirmou Rui Machete, durante uma audição na comissão parlamentar de Assuntos Europeus, respondendo a questões de deputados da esquerda sobre a matéria.

«Temos de ser realistas e não parece muito exequível, num horizonte temporal de curto prazo, admitir que as opiniões públicas e os eleitorados dos Estados que pagariam a mutualização da dívida estivessem de acordo com esse facto. Há que encontrar formas de solidariedade e de cooperação que funcionem melhor», sustentou o ministro, acrescentando que a união bancária «foi um passo extremamente importante para lutar contra a fragmentação dos mercados».

Machete salientou que os países devedores têm desenvolvido «um trabalho e esforço aturados» e que «alguns sacrifícios continuarão certamente a manter-se».

Portugal, acrescentou, encontra-se numa «situação difícil, em que os sacrifícios, embora mais moderados do que aqueles que enfrentámos até agora, hão de continuar a existir».

Sobre o pagamento da dívida, o chefe da diplomacia portuguesa referiu que o caminho passa pela criação de «condições muito importantes» para o crescimento da economia nacional, «com base essencialmente nas exportações e no investimento estrangeiro».

«Se olharmos às experiências das bancarrotas ao longo da História, encontram-se aqui e ali aspetos facilitadores, desde que a credibilidade do devedor se mantenha. Se o devedor nega honrar os seus compromissos, dificilmente encontrará quem lhe empreste dinheiro», sustentou.

Na audição, a deputada socialista Ana Catarina Mendes defendeu que a proximidade da saída da troika do país e das eleições europeias, em maio, deveria ser uma oportunidade para discutir a mutualização da dívida, que foi proposta no Manifesto dos 70.

«Qual é a resposta do Governo português quanto à possibilidade de mutualização da dívida? A dívida está em 130% do PIB [Produto Interno Bruto] e isso é um entrave ao crescimento da nossa economia, nos próximos anos», referiu a socialista.