O vice-primeiro ministro, Paulo Portas, disse esta terça-feira que «as pessoas vão perceber nos recibos» de salários e pensões os sinais de recuperação da economia, que está a ser feita «com os pés assentes na terra».

Paulo Portas falava numa sessão esclarecimento na sede da Associação industrial do distrito de Aveiro, no âmbito do programa 'Portugal 2020', integrada no roadshow da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal junto das empresas para impulsionar as exportações.

O vice-primeiro ministro começou por falar «do caminho que foi feito e da opção certa tomada de ter apenas um resgate e uma troika, quando alguns reclamavam mais tempo e mais dinheiro», o que «permite agora ao país estar a viver a transição» de uma fase de recessão para a fase do crescimento.

«A palavra mais usada nos últimos anos foi ajustamento, mas acho que a palavra que as pessoas vão perceber nos recibos dos salários, nos recibos do IRS e nos recibos das pensões é recuperação, porque nos meses de janeiro e fevereiro os funcionários públicos vão recuperar 20% face ao corte que tinham tido e o IRS das famílias com filhos desce consideravelmente», disse.

Para Paulo Portas, a recuperação está a ser feita «com os pés assentes na terra, sem prometer ilusões e sem voltar à irresponsabilidade que, do ponto de vista das políticas macroeconómicas faria voltar o país aos anos difíceis».

No que toca às empresas lembrou a descida gradual do IRC e insistiu nos sinais positivos macroeconómicos: «Há três anos, os juros da dívida pública portuguesa a 10 anos estavam nos 15% e hoje estão a 2,6%. Em 2011 o défice era superior a 10% e hoje anda na casa dos 4%», comparou.

São «sinais de esperança e confiança» que fazem Portas perspetivar que 2015 será um ano melhor do que 2014, se não surgir nenhuma crise internacional inesperada.

«Abandonámos a recessão e Portugal, a par da Espanha e da irlanda, são países com melhor crescimento na zona euro, somos um dos casos em que a criação de emprego regista melhor resultado na redução do desemprego e estamos com o melhor registo de confiança, desde 2008, por parte dos empreendedores e dos consumidores desde 2012, e o investimento que era o nosso ponto crítico, teve em 2014 os primeiros sinais positivos com um crescimento de 3%», enumerou ainda o ministro.

Falando para uma plateia de empresários, Paulo Portas salientou que são criadas duas vezes e meia mais empresas do que as que desaparecem, «quando há dois anos era o contrário» e enalteceu a agilidade das empresas, que «desmentiram os profissionais das previsões e continuaram a fazer crescer as exportações».

Apesar da restrição sofrida no setor dos combustíveis (menos 18%), Portugal continuou a crescer nas exportações «porque os exportadores souberam ir à procura de mercados não tradicionais (seis dos dez mercados onde Portugal mais cresceu não são mercados tradicionais)», realçou.

Uma das razões para esse caminho, disse foi porque houve um aproveitamento mais eficiente dos fundos comunitários, deixando uma palavra final aos empresários para que tenham em atenção a abertura de candidaturas do novo Quadro 20/20 para a internacionalização.