O ministro da Economia afirmou esta quinta-feira que o Governo acompanha «com interesse» os desenvolvimentos que envolvem a PT, mas voltou a rejeitar qualquer interferência do Executivo neste âmbito.

António Pires de Lima falava aos jornalistas à margem do 24.º congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, que termina hoje em Lisboa.

Quando questionado sobre a PT, Pires de Lima disse: «Já demos nota de que acompanhamos a evolução desse assunto com interesse no Governo, mas que não pretendemos interferir num processo».

«Só se justificaria algum tipo de intervenção da parte do Estado se houvesse um risco de desmembramento» da PT, acrescentou o governante.

«Francamente, não nos parece que seja essa a circunstância», concluiu.

Em relação à oferta pública de aquisição lançada pela empresária angolana Isabel dos Santos sobre a PT SGPS, Pires de Lima escusou-se a comentar.

«Limitamo-nos a desejar e pretender que qualquer processo que porventura tenha a PT como referência» seja «transparente e competitivo», adiantou.

«O Estado deve cada vez mais assumir-se na posição de regulador forte» e menos acionista, «não deve ser interveniente», uma vez que «já temos algum histórico nesta matéria em anos e governos passados que deve recomendar bom senso daquilo que é o posicionamento do Governo nesta matéria», acrescentou António Pires de Lima.

Na sua intervenção no congresso, o ministro da Economia tinha afirmado que «quem investe substancialmente numa empresa de telecomunicações investe porque valoriza muito essa empresa, caso contrário não investiria com essa dimensão, e porque ao valorizar essa empresa quer desenvolvê-la, apostar na capacidade de gerar valor» acrescentado e «também porque acredita no retorno de investimento para os seus acionistas».

Também no congresso, o presidente executivo da PT Portugal, Armando Almeida, admitiu que a venda desta empresa, detida pela brasileira Oi, «é uma opção, mas como outras opções».

Questionado sobre como se pode gerir uma empresa sem se saber o que quer afinal o acionista, Armando Almeida afirmou: «Já passei por este tipo de situações várias vezes e digo que numa situação em que tenho de escolher aciono, faço alguma coisa. Temos de continuar a fazer as coisas certas para esta empresa».