O ministro da Economia, António Pires de Lima, realçou hoje a importância da taxa de juro da dívida portuguesa a 10 anos ter descido abaixo dos 4%, considerando que é «um elemento muito relevante» para a sustentabilidade da dívida.

«Hoje vivemos um dia especial, porque pela primeira vez em vários anos a taxa de juro da dívida a 10 anos foi negociada abaixo dos 4%. É um elemento muito relevante para a sustentabilidade da dívida», afirmou o governante num evento em Lisboa.

Pires de Lima salientou que há pouco mais de dois anos, em janeiro de 2012, a taxa de juro da dívida soberana portuguesa no mesmo prazo estava próxima dos 20%.

E reforçou: «Quando eu estava a entrar no Governo os níveis [da dívida soberana a 10 anos] ainda eram superiores a 7%. Isto significa que o mundo, os investidores, confiam em Portugal, senão as taxas de juro não tinham caído de 19% para 4%».

O ministro considera que esta confiança dos mercados se deve ao «exemplo do ponto de vista político» que tem sido dado por Portugal, sublinhando que o país, «no essencial, sabe unir-se».

O Governo tem percorrido «um caminho de bom senso, que tem recuperado a credibilidade», frisou, considerando que «ninguém confia em quem não tem reputação».

E a reputação é «construída com base em resultados», afirmou, salientando a «redução muito substancial dos desequilíbrios» da economia portuguesa nos últimos três anos.

«O défice das contas públicas é inferior a 5% e a meta dos 4% em 2014 é viável. Eu acredito que vamos cumprir», vincou.

Pires de Lima apontou para o atual momento da economia portuguesa, em que o país «exporta mais bens e serviços do que importa».

Reconhecendo que «as importações caíram em 2011 e 2012, o que já não aconteceu em 2013», o governante sublinhou que, «mais do que a queda das importações, é a subida das exportações» que permitiu o excedente ao nível do défice corrente.

«As empresas portuguesas estão muito mais competitivas do que antes. O bom funcionamento da economia é um dos principais fatores do reganhar da nossa credibilidade e reputação», assinalou, acrescentando que, quando entrou para o Governo, «falava-se que Portugal vivia numa espiral recessiva e que, no lançamento das projeções para 2014, só o Governo e as empresas acreditavam que o país ia crescer».

Hoje, segundo o ministro, «a discussão está centrada em quanto é que Portugal vai crescer. 1,2% ou mais. Eu acredito nessa possibilidade».

E rematou: «Portugal está a entrar numa rota de crescimento que é sustentável».

Quanto ao desemprego, Pires de Lima apontou para «a trajetória positiva de decréscimo» da taxa, revelando que acredita que a mesma se vai manter.

«A recuperação da economia tem sido o maior aliado deste processo», considerou, realçando que «todos os indicadores vão na direção correta».

Pires de Lima falava no âmbito de um evento organizado pela Associação das Empresas Familiares, num hotel em Lisboa, tendo seguidamente prestado declarações semelhantes aos jornalistas.