[Atualizada às 11h46]

O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, disse esta sexta-feira que o Governo quer começar a baixar o IRS em 2015, «deixando mais dinheiro disponível para as famílias», e procura um acordo com o PS para baixar o IRC em quatro anos.

Paulo Portas reafirma a vontade política de descida do imposto, já reafirmada, dois dias depois do FMI ter afirmado que há pouco espaço para a redução. «A situação actual é de um espaço de manobra muito reduzido».

«Queremos em 2015 começar a baixar o IRS, que se viu aumentado nos últimos anos. E isso tem a ver com o rendimento disponível das famílias», disse Portas num fórum empresarial em Madrid, onde também assumiu o desejo de baixar o IRC.

Paulo Portas falava em Madrid perante centenas de empresários e responsáveis de empresas espanholas e multinacionais, no Fórum de Alumni da IE Business School, onde foi o convidado principal.

Apesar da vontade de baixar impostos, Paulo Portas recordou que o memorando com a troika «não permite descidas até ao final do programa» de assistência financeira internacional, motivo pelo qual o Executivo quer, quanto antes, recuperar a soberania do país.

Portas sublinhou ainda que, do ponto de vista do financiamento, a situação europeia continua a ser «muito injusta para as empresas, que pagam pelo rating dos países e não pelas suas performances como empresas».

Questionado sobre notícias de que o Governo terá bloqueado propostas do PSD de aplicar taxas sobre as PPP e setores como as telecomunicações e a grande distribuição, Paulo Portas rejeitou comentários. Apesar disso, Portas insistiu na defesa do projeto orçamental no que toca à distribuição dos sacrifícios.

«O Governo teve uma linha neste orçamento que para ajudar a equidade e a compreensão da situação em que nos encontramos, para conseguir terminar o programa de assistência, foi pedido um esforço suplementar a setores que têm algumas rendas mais protegidas e que pagarão mais, porque podem pagar mais, nestas circunstâncias extraordinárias», disse.