As associações patronais pedem mais incentivos ao investimento, com a CCP a sugerir uma redução do défice em 0,5% ao ano por um período de tempo mais alargado, enquanto os sindicatos querem uma inversão nas políticas de austeridade.

Os parceiros sociais estão hoje reunidos com os representantes da troika (composta pelo Fundo Monetário Internacional [FMI], Banco Central Europeu [BCE] e Comissão Europeia), em Concertação Social, para debaterem assuntos relacionados com a oitava e a nona avaliação regular ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) a Portugal.

À entrada do encontro, o presidente da CCP - Confederação do Comércio e Serviços de Portugal defendeu que a discussão sobre se a meta do défice orçamental para 2014 deve ser de 4% (como quer a troika) ou de 4,5% (como quer o governo) «não faz sentido».

«Gostaríamos que o programa permitisse baixar [o défice orçamental] meio ponto ao ano, mesmo que durasse dez anos. Só assim é que o Governo tem capacidade de ter investimento suficiente para relançar a economia. Enquanto este país tiver de pagar juros e amortizações em valores que, em percentagem do PIB [Produto Interno Bruto], são superiores ao crescimento da economia, não vai haver saída», argumentou João Vieira Lopes.

A CIP - Confederação Empresarial de Portugal, por seu lado, não acredita que a mudança de caras na delegação da troika traga alguma mudança nas orientações, porque «a troika e os seus princípios são os mesmos».

«Este desenho do programa tal como está feito e com os resultados que estão demonstrados - aumento do desemprego, queda do investimento - tem de ser redesenhado. É bom que a troika altere algumas práticas, altere a visão sobre Portugal e, alterando essa visão, altere o programa de ajustamento», argumentou António Saraiva.

Do lado das estruturas sindicais, Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, também não espera que a posição da troika se altere com a chegada de Subir Lall, pelo FMI, e de Sean Berrigan, pela Comissão Europeia, à delegação dos credores internacionais em Portugal.

«Estes senhores que aqui vêm representar a ¿troika' são os empregados. Quem manda e quem decide são os que não dão a cara e que, às vezes, até fazem declarações publicamente, anunciando que é preciso parar com a austeridade. Mas depois estes vêm dizer que é preciso mais austeridade, mais cortes nos salários e pensões», resumiu Arménio Carlos, considerando que se trata de uma «encenação que não resolve nada».

Para o dirigente sindical, as medidas impostas aos portugueses nos últimos dois anos estão a «colocar o país em sufoco» e é preciso, «ao fim de dois anos, fazer uma avaliação« sobre se Portugal está melhor ou pior e «se em 2014 vai ficar melhor ou se vai continuar a agonizar».

Este é o segundo dia da oitava e nona visita da troika a Portugal, que é o primeiro exame regular ao PAEF liderada pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, do lado de Portugal.

Do lado da troika, também há uma dança de cadeiras, mantendo-se apenas Rasmus Ruffer (do BCE): pela Comissão Europeia, estreia-se Sean Berrigan e, pelo FMI, entra Subir Lall.

A alteração da meta do défice para 2014, dos 4% para os 4,5%, deverá ser debatida na reunião de hoje, sendo que, na semana passada, Paulo Portas disse no parlamento que, durante a sétima avaliação, troika e executivo tiveram divergências e que o objetivo do défice era um dos temas em que defendiam posições diferentes, tendo acabado por prevalecer a opção da troika.

«O Governo continua a pensar que a meta de 4,5% [para o défice de 2014] é a mais adequada», defendeu por fim Paulo Portas.