O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, considera prematuro antecipar a necessidade de medidas adicionais para cumprir a estratégia orçamental do Governo, reafirmando ser «um ponto de honra» manter o défice «abaixo dos três por cento».

«Do nosso ponto de vista é prematuro ainda [antecipar medidas adicionais]», afirmou o chefe do executivo, à entrada para a 3.ª reunião do Conselho Nacional para o Empreendedorismo e Inovação, no salão Nobre do Ministério da Economia, questionado pelos jornalistas sobre o alerta da Comissão Europeia para o «risco de incumprimento» de Portugal relativamente ao défice, conhecido esta sexta-feira.

«Se a nossa receita fiscal continua a aumentar, não porque se aumente os impostos, mas porque a atividade económica está a crescer, para quê impor sacrifícios adicionais aos portugueses se conseguiremos atingir os nossos objetivos sem lhes impor sacrifícios adicionais», questionou.

Passos Coelho reafirmou ser «um ponto de honra ficar em 2015 com um défice abaixo de três por cento», e voltou a assegurar: «o Governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para corrigir a trajetória se isso se vier a revelar necessário».

A Comissão Europeia alertou hoje que o Orçamento do Estado português para 2015 «está em risco de incumprimento» do Procedimento de Défices Excessivos, em particular, de não cumprir a recomendação de alcançar um défice inferior a 3% do PIB.

Bruxelas «convida as autoridades [portuguesas] a tomar as medidas necessárias dentro do processo orçamental nacional para assegurar que o orçamento de 2015 vai estar de acordo com o Procedimento dos Défices Excessivos», ou seja, que o défice orçamental fica abaixo dos 3% no próximo ano.

Os reparos de Bruxelas para Portugal fazem parte de um conjunto de recomendações que a Comissão Europeia publica sobre os orçamentos dos 16 países da zona euro que não estão sob programa externo (ou seja, todos excluindo a Grécia e Chipre).

No Orçamento do Estado para 2015, o Governo prevê que o défice orçamental seja de 2,7% do Produto Interno Bruto, duas décimas acima da meta acordada com os credores internacionais durante o programa de resgate, mas, ainda assim, abaixo do limite de 3% definido pela Europa.

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda afirmou esta sexta-feira que o BE não aceitará mais medidas de austeridade para manter o défice abaixo dos 3%, considerando que a política do Governo e a da Comissão Europeia falharam.

O PS exigiu  também exigiu que o primeiro-ministro preste esclarecimentos sobre que medidas de austeridade aplicará para manter o objetivo do défice para 2015, depois do alerta dado pela Comissão Europeia. «Os dados hoje conhecidos da Comissão Europeia vêm dar razão ao que o PS tinha dito sobre o Orçamento do Estado e intimam o primeiro-ministro a prestar num esclarecimento», defendeu o deputado socialista João Galamba, em declarações aos jornalistas no Parlamento.