O primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, disse hoje que a disciplina orçamental é «um meio para atingir um fim», e a mesma deve potenciar o crescimento económico e a criação de emprego.

«A disciplina orçamental é um meio para um fim. Para mais crescimento, mais emprego, e um modelo social sustentável.

Mas é, não obstante, um meio indispensável», declarou Passos Coelho, acrescentando que é tempo de «refutar de uma vez por todas a falsa oposição entre disciplina orçamental e crescimento económico».

O governante e líder social-democrata falava em Albufeira, no final do segundo dia de trabalhos das "jornadas de estudo" do Partido Popular Europeu (PPE) em Portugal, que findam na quarta-feira no Algarve.

Numa intervenção lida em inglês, e perante dezenas de eurodeputados e figuras do PPE, Passos começou por abordar o caso português de «compromisso com a Europa» e os ideais do projeto europeu, lembrando os presentes que os portugueses «fizeram grandes sacrifícios» mas agora o país está «no caminho da recuperação».

«Mas nos momentos mais difíceis mantivemos a nossa lealdade ao projeto europeu de uma sociedade aberta em parceria com os nossos amigos na União [Europeia]», ressalvou o chefe do Governo.

Declarando que «o pior da crise já passou», quer a nível interno quer na Europa, Pedro Passos Coelho diz que o tempo agora não é de «complacências» porque a recuperação «é ainda frágil» e há «diversos problemas que têm de ser enfrentados».

«Aprendemos da maneira mais difícil. A crise apanhou a Europa completamente desprevenida. Podíamos e devíamos ter estado melhor preparados», frisou.

O momento atual é de «curar as feridas abertas com a crise», nomeadamente a nível do combate ao desemprego, que é «intoleravelmente alto».

«Esta deve ser a nossa principal prioridade», defendeu o líder do executivo PSD/CDS-PP.

Passos Coelho demonstrou também preocupações com as taxas de natalidade, «demasiadamente baixas para a substituição de gerações», e que leva a que nalguns países a mão-de-obra laboral esteja a diminuir, o que «compromete as possibilidades económicas para o futuro».

O governante sublinhou ainda que não haverá uma verdadeira União Europeia «se alguns países ou um grupo de países ficar para trás» a nível de reformas, demonstrando «confiança no futuro» perante os seus «amigos» do PPE, partido «que não tem medo de lidar com problemas» e que «não se esconde por detrás de fantasias e ilusões ideológicas».