A agência de notação financeira Moody’s defendeu esta quarta-feira que a venda do Novo Banco a privados seria positiva para o Estado, até porque o capital que foi injetado já foi incluído nas contas públicas.

“O capital que foi injetado no Novo Banco em 2014 já foi contabilizado nas contas públicas. Houve um impacto negativo no défice desse ano. Claro que vender o Novo Banco a privados seria positivo”, defendeu, em entrevista à agência Lusa, a responsável pela notação financeira para Portugal, Kathrin Muehlbronner.

À margem de uma conferência da Moody's que ocorreu esta manhã em Lisboa, Kathrin Muehlbronner disse à Lusa que a agência “assume, cenário base, que o Novo Banco é vendido”, mas não “um valor” para a venda.

Também sobre o Novo Banco, a analista da Moody’s para o sistema financeiro português, Maria Cabanyes, disse à Lusa que “a melhor solução será aquela que for positiva para o Novo Banco e para o sistema financeiro como um todo”.

Maria Cabanyes afirmou que a “principal preocupação” da Moody’s é o efeito que a venda ou não do Novo Banco possa ter na banca, que “continua muito exposta” ao problema.

Depois do colapso do BES, o Novo Banco foi capitalizado com 4.900 milhões de euros através do Fundo de Resolução Bancária. O Estado português entrou com 3.900 milhões de euros neste Fundo e os bancos com os restantes 1.000 milhões.

Sobre a queda de dois bancos em dois anos, com a resolução do Banif no final do ano passado, a vice-presidente da Moody’s para o setor financeiro desvalorizou o caso português, lembrando que Portugal “não é o único país que teve de resgatar os seus bancos”.

“Tivemos este problema na Europa antes. É uma combinação de um ambiente operacional que não ajudou os bancos a fortalecerem-se, com uma fraca capacidade de financiamento e de apostas erradas”, enumerou.

Questionada sobre se o sistema financeiro português precisa de consolidação, Maria Cabanyes deu o caso de Espanha, que também acompanha. “Vimos uma consolidação muito forte, mas os bancos que se fundiram não se tornaram necessariamente mais fortes”, disse.

“Por isso, a consolidação da banca não significa necessariamente bancos mais fortes”, disse.

No entanto, “a situação do sistema bancário português permanece fraca, no sentido em que ainda é um desafio para os bancos alcançar um retorno de capital aceitável”, considerou.

No início de janeiro, a Moody’s cortou o ‘rating’ do Novo Banco, depois de o Banco de Portugal ter comunicado, a 29 de dezembro, a recapitalização da entidade através da retransmissão de obrigações não subordinadas para o 'banco mau' (BES).

A medida tomada pelo Banco de Portugal no final do ano passado deu origem a um reforço do capital do Novo Banco em 1.985 milhões de euros, permitindo assim cumprir as exigências regulamentares.

Em entrevista à TVI, a Moody´s considera que há "risco elevado" de o Governo falhar meta do défice.