A Moody's considerou esta sexta-feira que o pagamento antecipado do empréstimo ao FMI por Portugal é uma decisão positiva por permitir «poupanças significativas na fatura de juros», mas esclarece que não é suficiente para subir o rating atribuído ao país.

Numa nota hoje emitida, a agência de notação financeira Moody's avalia positivamente a decisão de Portugal de devolver antecipadamente «cerca de metade» do empréstimo pedido ao Fundo Monetário Internacional (FMI), elogiando «a substituição dos empréstimos mais caros do FMI por financiamento de mercado mais barato», o que «melhora o calendário de reembolsos».

Para a Moody's, cujo rating atribuído a Portugal é «Ba1», um nível abaixo do grau de investimento, isto reflete «o acesso sólido ao mercado de Portugal e a gestão proativa da dívida soberana».

No entanto, apesar de considerar a decisão «positiva», a Moody's entende que «o pagamento antecipado não vai ser suficiente para materializar uma melhoria no rating de Portugal».

Apesar de reconhecer que «o atual ambiente de financiamento favorável (...) aumenta a confiança de que o fardo muito pesado da dívida pública de Portugal é sustentado», a agência de notação financeira explica que, para subir rating para um nível de investimento, é preciso olhar também para «duas áreas-chave», a consolidação orçamental e uma melhoria da recuperação económica.

Portugal pretende devolver antecipadamente 14 mil milhões de euros do envelope financeiro total de 26,5 mil milhões pedidos à instituição liderada por Christina Lagarde entre este ano e 2017, sendo que, no calendário original de pagamentos, Portugal teria de pagar apenas 6,7 mil milhões de euros até ao final de 2017.

«Estimamos que a substituição dos empréstimos do FMI por financiamento de mercado mais barato vai resultar em poupanças acumuladas (em despesas) com juros de cerca de 500 milhões de euros (0,3% do Produto Interno Bruto em 2014)», calcula a Moody's.

O custo do financiamento concedido a Portugal pelo Fundo é de 3,6%, acima da taxa de juro de 2,5% que o mercado está atualmente a cobrar pelos títulos de dívida soberana portuguesa a 10 anos.

O Eurogrupo já aprovou o pedido de pagamento antecipado apenas ao FMI (e não aos credores europeus) por parte de Portugal, numa decisão que já tinha sido também tomada pela Irlanda.

Os parlamentos da Alemanha, da Holanda e da Finlândia terão ainda de ratificar o pedido.

De acordo com o calendário da divulgação de ações de rating, a Moody's deverá voltar a avaliar a nota portuguesa a 08 de maio e depois a 04 de setembro.