O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, apelou esta quarta-feira ao consumo de leite, por se tratar de um alimento saudável e de grande qualidade, criticando as "notícias distorcidas" que criaram na opinião pública a ideia contrária.

Os apelos do ministro, que esteve na abertura de um seminário sobre consumo de leite e laticínios, foram reiterados pela organizadora do evento e presidente do Observatório dos Mercados Agrícolas e das importações Agro-Alimentares, Maria Antónia Figueiredo e pelo presidente da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (FENALAC) que considerou que o leite está a ser alvo de "um ataque injustificado".

Capoulas Santos considerou que na origem da crise do setor do leite estão vários fatores que se conjugaram para formar uma "tempestade perfeita", entre os quais "decisões erradas tomadas pela União Europeia", como o fim do regime de quotas leiteiras, o embargo russo aos produtos agrícolas europeus e a crise nos países emergentes, mas também "notícias distorcidas" que introduziram na opinião pública a ideia de que o leite não é um bom alimento, levando a uma queda de 8% do consumo no último ano.

Apelou, por isso, a que os portugueses consumam leite, "um produto reconhecidamente saudável e de grande qualidade".

Por outro lado, Maria Antónia Figueiredo sublinhou que especialistas reconhecidos como a endocrinologista Isabel do Carmo defende o consumo do leite e adiantou que as outras bebidas alternativas, como as de soja ou aveia "não tem os nutrientes necessários ao organismo como o cálcio e as vitaminas" que tem de ser adicionados ao produto.

A presidente do OMAIAA lembrou ainda que em Portugal não se produz soja, sendo necessário recorrer às importações, o que agrava o desequilíbrio da balança comercial.

"É um paradoxo. Temos autossuficiência do leite e estamos a substituí-lo por um produto que não faz parte da roda dos alimentos da alimentação mediterrânica e, de repente, surge uma moda de que estas bebidas é que são benéficas para a nossa saúde", o que não está provado, destacou.

Também o presidente da FENALAC, Fernando Cardoso, lamentou o "constante ataque do leite" que considerou "injustificado", afirmando que muitos produtores estão no "limiar de abandonar a produção", o que significa "uma perda para a economia nacional".

Entre as medidas que estão ao alcance do Governo pediu que sensibilize a distribuição para preferir a produção nacional "que é competitiva em termos de preço e agrado do consumidor" e fiscalize se os preços praticados estão dentro do quadro legal que impede a venda abaixo do custo de produção.

O ministro da Agricultura lançou também o repto à grande distribuição no sentido de adquirir mais produção nacional.

"Importa que quem opera em Portugal tenha também a noção que é nesse país que estão os seus consumidores. Os consumidores portugueses preferem sempre a nossa produção", disse Capoulas Santos, mostrando-se empenhado em garantir uma identificação mais clara para os produtos nacionais.

O governante admitiu que se a crise persistir haverá produtores que não têm condições de sobreviver, incluindo "médias explorações que dão vida e ocupação ao interior do território".

"É o país que fica mais pobre", lamentou, dizendo que o atual número de produtores (5.600) é adequado ao consumo nacional.

Sobre os suinicultores, que têm estado também em pé de guerra com as grandes superfícies, considerou tratar-se de um problema semelhante de desequilíbrio entre oferta e procura, agravado pelo facto de o setor não receber ajudas comunitárias.

Mostrando-se satisfeito pelo facto de algumas insígnias terem feito "aquisições significativas" de carne de porco nacional, a preços superiores aos que vinham a ser praticados, Capoulas Santos afirmou ter "esperança que outras insígnias acompanhem este procedimento".