A comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas aprovou esta quarta-feira por unanimidade a audição da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, por causa da intenção do grupo Maersk abandonar as operações no Porto de Lisboa.

O requerimento para a audição da ministra foi apresentado conjuntamente pelo PSD e CDS-PP, tendo o deputado Pedro Mota Soares (CDS) lembrado a “importância fundamental do Porto de Lisboa para o setor portuário e para muitas empresas portuguesas que se viraram para o mercado da exportação”.

“Parece-nos muito importante pudermos ouvir a ministra do Mar sobre o que o Governo pensa fazer numa matéria como esta”, frisou.

Do lado do PSD, o deputado António Costa Silva destacou a importância do grupo Maersk ao dizer que a empresa emprega mais de nove mil pessoas em 130 países.

Referindo-se às greves anunciadas pelos estivadores, que “estão a prejudicar” o porto de Lisboa, afirmou que as suas remunerações “não são propriamente equivalentes ao salário mínimo”.

“São simpáticas, apesar de terem uma vida intensa em termos de trabalho”, acrescentou.

Pelo BE, o deputado Heitor Sousa discordou a associação feita pelo PSD e CDS de que as greves dos trabalhadores é que estão a prejudicar o Porto de Lisboa.

“Creio que existe uma política deliberada por parte de alguns armadores para chantagear alguns trabalhadores e o próprio Governo por forma a tirar dividendos e vantagens. Evocar a ideia que as greves são estratégias de sindicatos e que não têm nada a ver com a defesa dos interesses dos trabalhadores é errado”, afirmou.

O deputado lembrou que “é um projeto dos armadores a redução do número de trabalhadores na atividade portuária, nomeadamente no porto de Lisboa".

O Diário Económico adiantou na sua edição de terça-feira que o grupo Maersk, o maior armador mundial, comunicou aos clientes e parceiros que vai abandonar as operações no Porto de Lisboa devido à greve dos estivadores, que começou em novembro e termina a 31 de dezembro contra a “unilateral declaração patronal da caducidade do contrato coletivo em vigor”.