A ministra das Finanças reconheceu hoje, em Bruxelas, que «é muito difícil» manter a opinião pública do lado do Governo, em plena implementação de reformas e disciplina orçamental, mas salientou a coesão e estabilidade da atual coligação PSD/CDS-PP.

«Disciplina orçamental é algo que tem de ficar por muitos anos»

«As tensões políticas que tivemos no ano passado foram totalmente superadas. Não há questão de instabilidade no seio do Governo, mas é muito difícil manter o público connosco», disse, durante um seminário organizado pela OCDE, em Bruxelas, quando questionada pelo moderador sobre a crise política do verão de 2013, que ameaçou levar à dissolução da coligação e queda do Governo.

Lembrando que o atual ciclo político termina em 2015, com a realização de eleições legislativas, Maria Luís Albuquerque, expressando-se em inglês, disse que é fundamental ter «estabilidade política» e apontou que o atual executivo será o primeiro Governo de coligação em Portugal a concluir uma legislatura.

«Por isso, estamos a fazer história de várias maneiras», defendeu.

Respondendo em concreto à questão que lhe foi colocada, sobre como consegue um Governo levar a cabo políticas de reformas e disciplina orçamental sem perder votos, Maria Luís Albuquerque admitiu que é uma tarefa muito árdua, até porque, no caso de Portugal, é «muito importante dizer às pessoas que não se vai voltar ao que era, pois não há nada para que voltar».

«Essa realidade não existiu, era uma ilusão», e daí ser particularmente dolorosa essa consciencialização em Portugal, disse, referindo que as dificuldades surgiram desde a adesão do país ao euro, foram-se acumulando, «mas as pessoas só sentem os problemas quando a solução é implementada».

Por outro lado, referiu, é importante «dizer às pessoas que as coisas são difíceis, mas vão melhorar».

A ministra fez ainda questão de sublinhar a importância de, no quadro da estabilidade política, haver também um compromisso mais amplo que envolva os principais partidos da oposição, designadamente a nível de uma agenda para as reformas e princípios tão básicos como a pertença à zona euro, para que as mudanças de governo, naturais num sistema democrático, não tenham um impacto negativo no plano económico.