O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, considerou esta terça-feira que a eventual saída da Grécia da zona euro não teria grandes consequências nefastas para a moeda única nem para Portugal, mas manifestou esperança de que tal não aconteça.

«É uma situação preocupante, mas não é uma situação trágica para Portugal. Mantemos a nossa solidariedade com a Grécia e não desejaríamos que isso acontecesse», considerou o chefe da diplomacia portuguesa aos jornalistas, após a sessão de abertura do seminário diplomático, que reúne hoje e na quarta-feira em Lisboa diplomatas e membros do executivo para discutir as prioridades da política externa.

Rui Machete falava sobre a situação da Grécia, onde no próximo dia 25 se realizam eleições antecipadas, com o partido Syriza (esquerda radical) a liderar as sondagens.

Na semana passada, a revista alemã Der Spiegel noticiou que a chanceler, Angela Merkel, se prepara para deixar a Grécia sair da zona euro, uma opção que dizem ser sustentável, no caso de a esquerda radical pôr em causa a política de rigor orçamental do país.

«O Governo alemão considera quase inevitável a saída [da Grécia] da zona euro, se o líder da oposição, Alexis Tsipras, dirigir o Governo após as eleições [legislativas], abandonar a linha de rigor orçamental e deixar de pagar as dívidas do país», lia-se na página da internet da revista semanal, que cita «fontes próximas do Governo alemão».

No mesmo sentido, Rui Machete concordou que «no caso de haver uma saída da Grécia, seria menos grave para o euro» do que há um ou dois anos.

No entanto, o ministro português disse esperar que «as coisas se componham», quer ganhe o Syriza - «que já começou a rever alguns aspetos da sua posição, porque é diferente estar fora do que estar com probabilidades de exercer o poder», quer vença as eleições um partido mais à direita.

«A nossa posição é a da União Europeia. Esperamos que as coisas permitam que, qualquer que seja o resultado eleitoral, a Grécia cumpra as suas obrigações e seja ajudada, mas naturalmente estamos preocupados porque não podemos, em absoluto, excluir que haja outra alternativa», afirmou.

Machete lembrou que o euro e também Portugal estão hoje «numa situação mais forte» e, como tal, «evidentemente [a saída da Grécia da zona euro] teria sempre consequências nefastas, embora não as consequências nefastas que teria tido há um ou dois anos».

Na segunda-feira, a Comissão Europeia escusou-se a comentar as notícias sobre uma eventual saída da Grécia da zona euro, limitando-se a lembrar que, de acordo com o Tratado da União Europeia, a pertença ao espaço monetário único «é irrevogável».