O ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu esta segunda-feira a criação de um Mercado Interno da Energia na União Europeia, e considerou «fundamental» a existência de um equilíbrio de preços entre a Europa e os Estados Unidos da América.

«É fundamental que consigamos garantir um equilíbrio dos preços nos Estados Unidos e na Europa, tanto para a indústria como para os consumidores», disse Rui Machete, lembrando que, «segundo a Agência Internacional de Energia, os preços reais da eletricidade nos países europeus cresceram cerca de 37% entre 2005 e 2012, face à quebra de 4% nos Estados, no mesmo período».

Na intervenção de abertura do seminário sobre a Parceria Transantlântica de Comércio e Investimento (TTIP, em inglês), hoje em Lisboa, o governante afirmou que a criação de um 'mercado interno transatlântico' impõe uma análise «sobre as implicações ao nível do conhecido 'gap energético' entre os Estados Unidos e a União Europeia, nomeadamente quanto a eventuais assimetrias ou disfunções em termos de concorrência, que derivam do acesso a uma energia mais barata».

Para Rui Machete, «este é um ponto crucial da negociação do Acordo de Parceria, devendo ficar devidamente salvaguardado, pelas claras e evidentes implicações na sua concretização».

O diplomata lembrou a mudança estrutural ocorrida na balança comercial norte-americana na área energética, sublinhando que, em menos de uma década, os Estados Unidos passaram «de importador a exportador líquido de gás, com os inerentes benefícios em termos de competitividade para os produtores norte-americanos», em grande parte devido à exploração do gás de xisto.

Neste contexto, defendeu, é fundamental que a União Europeia avance para um mercado interno de energia: «Será por isso de redobrada relevância avançarmos para um Mercado Interno da Energia, através do reforço das interconexões e do alargamento das fontes e vias de abastecimento».

Com este instrumento, continuou Rui Machete, haverá «melhores condições para garantir a segurança das fontes de abastecimento do mercado europeu e resistir a futuras crises energéticas, proporcionando, simultaneamente, melhores preços aos consumidores», até porque «entre as razões para os preços elevados da energia na União Europeia, encontra-se a fragmentação do mercado e a elevada dependência externa, nomeadamente da Rússia».

O seminário desta manhã em Lisboa pretende debater as implicações para a economia portuguesa das negociações em curso sobre um acordo de livre comércio entre os Estados Unidos e a União Europeia.

Os Estados Unidos são o sexto maior cliente de Portugal, representando 4% do total das vendas de Portugal para o exterior, enfatizou Rui Machete, salientando que «desde 1997 que o saldo da balança comercial com os Estados Unidos tem sido favorável a Portugal, tendo atingido cerca de 1,2 mil milhões de euros em 2013, destacando-se entre os países que mais cresceram nas importações de produtos nacionais».