O primeiro-ministro considerou esta sexta-feira que o Governo conseguiu que «quem tinha mais» tenha contribuído mais para o esforço de superação da crise, permitindo contrariar o adágio de «quem se lixa é o mexilhão».

«Ao contrário do que era o jargão popular de que quem se lixa é o mexilhão, de que são sempre os mesmos (...) desta vez todos contribuíram e contribuiu mais quem tinha mais, disso não há dúvida», afirmou Pedro Passos Coelho, em Braga para encerrar um seminário sobre Economia Social, organizados pela União de Misericórdias de Portugal.

O líder do Governo salientou ainda o papel das instituições de solidariedade social como «catalisadoras» da mudança de atitude dos portugueses perante as adversidades apontando que se está a «desenvolver» as condições para «ajudar» quem tem boas ideias mas que «boas ideias e atitude positiva não se decretam».

Segundo Passos Coelho, «a crise económica não agravou as desigualdades, houve até uma tendência para corrigir algumas delas» até porque, disse, «muitas pessoas tiveram uma contribuição para resolver a crise que, provavelmente, nunca pensaram que seriam chamados a ter».

No entanto, realçou, na nossa sociedade as desigualdades «são muito grandes» e que «não apenas a riqueza está mal distribuída mas as oportunidades também estão mal distribuídas» sendo na mudança deste paradigma que para o primeiro-ministro as instituições de solidariedade social assume especial importância.

«Os senhores [Misericórdias e restantes IPSS] têm possibilidade de serem um catalisador muito importante na atitude que os portugueses podem tomar sobre a realidade de hoje e do futuro. Sabemos como a atitude que temos pode ser a diferença entre ficar numa situação de dependência e assistência ou poder aumentar as nossas possibilidades de futuro», apontou.

O líder do Governo de coligação PSD/CDS-PP disse ainda estar «convencido» de estar «desenvolver as condições para ajudar aqueles que tem boas ideias» salientando que não pode ser o Governo a fazer tudo.

«Boas ideias e atitude positiva não se decretam», disse.

À espera de Pedro Passos Coelho estavam cerca de 30 manifestantes afetos à CGTP-IN que exigiram a demissão do atual Governo e protestaram contra o «despedimento em massa» na Segurança Social.