O BPI recordou que a performance do Produto Interno Bruto (PIB) foi sólida no segundo trimestre de 2015, período no qual a economia expandiu 1,5% em termos homólogos, suportado por um aumento do consumo privado e um disparo do investimento.

O Governo prevê que a economia portuguesa cresça 1,6% em 2015, consolidando a trajetória da retoma económica após, em 2014, ter posto um ponto final à pior recessão em três décadas, tendo o PIB crescido 0,9% no ano passado.

"Apesar desta performance positiva em várias frentes, ajustamos as nossas previsões do crescimento do PIB em 2015 em baixa, para 1,6% de 1,8%" referiu o BPI, numa nota de investimento, citada pela Reuters.

Esta revisão "reflete um aumento riscos externos negativos e as dinâmicas das importações, que têm subido mais do que esperado," disse, realçando que as importações de bens e serviços subiram quase 10% em termos homólogos, superando os níveis registados antes da crise financeira de 2008.

Incerteza eleitoral penaliza

Numa secção com o título "Da estabilidade para a incerteza?", o BPI recordou que Portugal teve, desde 2011, uma maioria parlamentar que permitiu ao Governo de coligação completar o mandato de quatro anos.

A maioria das sondagens prevê um empate técnico entre a coligação PAF-Portugal à Frente, constituída pelo Partido Social Democrata (PSD) e pelo CDS-Partido Popular, e o Partido Socialista (PS).

Segundo as intenções de voto, nenhuma destas forças políticas está próxima de obter uma maioria absoluta.

"Se tal for o caso, vários cenários poderão emergir, desde uma improvável grande coligação a um Governo de minoria apoiado por um acordo parlamentar com outros partidos." previu o BPI, realça a Reuters.

Recordou, contudo, que tanto a coligação governamental como o PS comprometem-se a cumprir a regras europeias sobre o défice público e a dívida.

Dados positivos estão no bom caminho

Vincou a queda do nível de desemprego para abaixo dos 12% no segundo trimestre, a queda do défice público face ao ano passado, e expectativa de uma viragem na tendência da dívida publica, que deverá descer este ano dado o maior crescimento económico e a diminuição do défice público.

O Governo visa cortar o défice público para 2,7% do PIB em 2015 dos 4,5% do ano passado, retirando Portugal dos procedimentos de défices excessivos da União Europeia pela primeira vez.

Do lado dos riscos positivos, referiu que "os baixos preços do petróleo e condições financeiras muito acomodatícias deverão permitir reduções de custos para as empresas e aumentar o rendimento disponível das famílias".

"Adicionalmente, Portugal está numa posição financeira mais forte face a 2010-11, pois as necessidades financeiras para 2015, e parte de 2016, estão já garantidas," concluiu.