O BPI cortou a previsão para o crescimento económico de Portugal este ano para 1,6%, dos anteriores 1,8%, realçando os riscos de um abrandamento da economia mundial, a forte subida das importações, e a incerteza política que poderá resultar das eleições legislativas de 4 de Outubro.

O BPI recordou que a performance do Produto Interno Bruto (PIB) foi sólida no segundo trimestre de 2015, período no qual a economia expandiu 1,5% em termos homólogos, suportado por um aumento do consumo privado e um disparo do investimento.

O Governo prevê que a economia portuguesa cresça 1,6% em 2015, consolidando a trajetória da retoma económica após, em 2014, ter posto um ponto final à pior recessão em três décadas, tendo o PIB crescido 0,9% no ano passado.

"Apesar desta performance positiva em várias frentes, ajustamos as nossas previsões do crescimento do PIB em 2015 em baixa, para 1,6% de 1,8%" referiu o BPI, numa nota de investimento, citada pela Reuters.


Esta revisão "reflete um aumento riscos externos negativos e as dinâmicas das importações, que têm subido mais do que esperado," disse, realçando que as importações de bens e serviços subiram quase 10% em termos homólogos, superando os níveis registados antes da crise financeira de 2008.

Incerteza eleitoral penaliza

Entre os riscos de downside, identificou "a possibilidade de um menor crescimento (económico) mundial pesar negativamente nas exportações, e alguma incerteza sobre eleições de 4 de Outubro".

Numa secção com o título "Da estabilidade para a incerteza?", o BPI recordou que Portugal teve, desde 2011, uma maioria parlamentar que permitiu ao Governo de coligação completar o mandato de quatro anos.

A maioria das sondagens prevê um empate técnico entre a coligação PAF-Portugal à Frente, constituída pelo Partido Social Democrata (PSD) e pelo CDS-Partido Popular, e o Partido Socialista (PS).
Segundo as intenções de voto, nenhuma destas forças políticas está próxima de obter uma maioria absoluta.

"Se tal for o caso, vários cenários poderão emergir, desde uma improvável grande coligação a um Governo de minoria apoiado por um acordo parlamentar com outros partidos." previu o BPI, realça a Reuters.
Recordou, contudo, que tanto a coligação governamental como o PS comprometem-se a cumprir a regras europeias sobre o défice público e a dívida.

Dados positivos estão no bom caminho

Apesar da revisão da expectativa para o PIB este ano, o BPI salientou desenvolvimentos positivos nos dados desde o princípio do ano, incluindo uma melhoria geral nos dados da confiança em todos os sectores.

Vincou a queda do nível de desemprego para abaixo dos 12% no segundo trimestre, a queda do défice público face ao ano passado, e expectativa de uma viragem na tendência da dívida publica, que deverá descer este ano dado o maior crescimento económico e a diminuição do défice público.

O Governo visa cortar o défice público para 2,7% do PIB em 2015 dos 4,5% do ano passado, retirando Portugal dos procedimentos de défices excessivos da União Europeia pela primeira vez.

Do lado dos riscos positivos, referiu que "os baixos preços do petróleo e condições financeiras muito acomodatícias deverão permitir reduções de custos para as empresas e aumentar o rendimento disponível das famílias".

"Adicionalmente, Portugal está numa posição financeira mais forte face a 2010-11, pois as necessidades financeiras para 2015, e parte de 2016, estão já garantidas," concluiu.