A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, reiterou esta quinta-feira no parlamento que a garantia do Governo de que o Banco Espírito Santo (BES) não penaliza as contas públicas é o facto de o banco não ter sido nacionalizado.

Acesso ao mercado está «completamente normalizado»

«Não nacionalizamos, senhor deputado. Se tivéssemos nacionalizado, o prejuízo passava a ser nosso. É essa a garantia. Não nacionalizámos o banco e, precisamente por isso, é que o prejuízo ficou com os acionistas», afirmou a governante hoje na comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, em resposta a uma pergunta colocada pelo deputado do PCP Paulo Sá, escreve a Lusa.

A ministra das Finanças, que é a última a ser ouvida nesta comissão no âmbito do debate na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2015, explicou que «o que se fez foi destacar a parte que era boa do banco, preservando a estabilidade financeira e fazendo com que o custo associado seja suportado pelo setor financeiro em linha com as regras em vigor na Europa».

Maria Luís Albuquerque repetiu uma garantia que tem vindo a dar, afirmando que «aquilo que foi colocado no BES não é dinheiro público», mas sim «dinheiro do Fundo de Resolução Bancário que beneficiou de um empréstimo do Tesouro e que os bancos vão reembolsar».

A 03 de agosto, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, depois de o banco ter apresentado prejuízos semestrais de quase 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição.

No chamado banco mau (bad bank), um veículo que mantém o nome BES, ficaram concentrados os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas, enquanto no 'banco bom', o banco de transição que foi designado Novo Banco, ficaram os ativos e passivos considerados não problemáticos.