O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, considerou hoje que o aumento da esperança média de vida comporta um "desafio sério", assegurando que a idade de reforma não voltará para os 65 anos.

Num debate em Oeiras sobre "Sustentabilidade da Segurança Social", organizado pela NOVA ATENA- Associação para a inclusão e bem-estar da pessoa sénior pela cultura e arte, Vieira da Silva dedicou a sua intervenção a explicar aos participantes a história da Segurança Social e os seus princípios.

O ministro reforçou que a sustentabilidade da Segurança Social é "um tema que deve ser valorizado" e assenta em três dimensões que devem ser analisadas em conjunto: dimensão da sustentabilidade financeira, sustentabilidade económica e sustentabilidade social.

Vieira da Silva apontou o aumento da esperança média de vida, que a partir dos 65 anos é de mais 20 anos, como "um bem para a sociedade", mas um "desafio sério" para o sistema da Segurança Social.

"A idade da reforma não voltará aos 65 anos. Não é possível com estes dados da esperança média de vida", assegurou.

O ministro assumiu que a conjuntura económica agrava os riscos a longo prazo no sistema da Segurança Social e, por isso, defendeu que para enfrentar as dificuldades há que aproveitar as oportunidades.

"Há 1,5 milhões de portugueses em idade ativa, mas estão inativos. Bastava que esses tivessem condições de ingressar no mercado de trabalho para ser uma grande ajuda para a Segurança Social.

“Esta é uma grande oportunidade, embora não resolva todos os problemas a longo prazo", sustentou.

Numa plateia maioritariamente sénior, as questões colocadas ao ministro centraram-se nas reformas e em pedidos de esclarecimento sobre a Caixa Geral de Aposentações.

"Pouca coisa teve impacto na economia como os efeitos negativos dos cortes nas pensões. Felizmente que o Tribunal Constitucional reconheceu esse erro", acrescentou.

O ministro foi ainda elogiado pela "coragem" de voltar a tutelar a pasta da Segurança Social, depois de o ter feito aquando da governação de José Sócrates.

"Não é muito comum em Portugal e tenho a noção dos riscos, mas com as condições em que me foi feito o convite não tinha como dizer que não", concluiu Vieira da Silva.