Depois de dez dias conturbados, devido à greve dos pilotos da TAP e da PGA, é hora de fazer balanços. O Governo não poupa críticas à direção do SPAC, mas mostra-se satisfeito com o número de voos que foram realizados.

“Os números falam por si. Para além dos 278 voos de serviços mínimos foram efetuados mais 1739 voos. No total, o Grupo TAP realizou 2.017 voos durante o período de greve. A marca TAP realizou cerca de 80% dos voos previstos e no conjunto do Grupo TAP quase 70% dos voos programados foram efetuados”, disse o ministro da Economia, Pires de Lima, neste que foi o balanço oficial feito pelo Governo à paralisação dos pilotos.

“Nunca uma greve na TAP convocada pelo SPAC ou por qualquer outro sindicato teve uma adesão tão baixa. Cada um, agora, que tire as suas conclusões e aceite as devidas consequências”, adiantou.

No entanto, Pires de Lima congratula-se: “apesar da irresponsabilidade da direção do SPAC, a TAP continuou a voar”.

Ainda assim, sublinha o ministro, os danos pessoais e os prejuízos financeiros causados pela greve foram “substanciais”. Pires de Lima avança que “25 milhões de receitas foram perdidas, às quais se devem somar cerca de 10 milhões de euros de custos em dormidas, refeições e outras despesas de encaminhamento”.

O governante reitera que a privatização da companhia aérea é para avançar.

Confiança da empresa foi "abalada"

O ministro Pires de Lima referiu ainda que a confiança na TAP foi "abalada". 

“A normalidade operacional regressará brevemente à TAP. A confiança foi abalada e essa tem que ser paciente e gradualmente retomada”, disse Pires de Lima aos jornalistas.

 

Quando questionado sobre a possibilidade de uma nova greve, Pires de Lima é perentório: “Seria totalmente impensável que o país tivesse de viver perante a dúvida de uma nova greve. Não quero acreditar, sequer, nessa possibilidade”.

 

TAP deverá apresentar plano para melhorar situação financeira

O secretário de Estado dos Transportes, que também esteve na conferência com o ministro, reconheceu que a situação financeira da TAP ficou mais frágil depois da greve dos pilotos e anunciou que a empresa irá apresentar na próxima semana um plano para melhorar essa situação.

“A situação financeira da TAP ficou mais frágil depois desta greve de 10 dias, por isso pedimos à empresa que fizesse uma análise da situação e apresentasse propostas para mitigar esta fragilidade”, disse Sérgio Monteiro.


Segundo o governante, estas propostas para melhorar a situação financeira da TAP podem ser no âmbito de uma política comercial mais forte ou da redução de custos.

“Esperamos a apresentação do plano na próxima semana”, acrescentou Sérgio Monteiro.