A pulga ficou atrás da orelha. Depois de o primeiro-ministro ter anunciado que a Google vai abrir um centro de serviços na Grande Lisboa e de, no mesmo dia, o CEO da Web Summit ter falado em "rumores" de que não seria a única a investir em Portugal, há esta sexta-feira um nome a circular na praça tecnológica: a Amazon. Com outro destino: o Porto.

Logo quando fez o anúncio da Google, António Costa levantou o véu de que há "muitos investimentos em perspetiva", mas não detalhou. Hoje, o Jornal de Negócios, citando fonte próxima do processo sem a identificar, adianta que a entrada da Amazon poderá oficializar-se ainda neste primeiro trimestre do ano, ou seja, até março; que há conversações a decorrer com a câmara do Porto; e que a gigante norte-americana até estará já a negociar um espaço no Porto, na zona da Boavista, para se instalar. 

A Câmara do Porto admite que “estão a decorrer conversações” com a Amazon no sentido da eventual instalação na cidade de um espaço daquela empresa norte-americana de comércio eletrónico.

Existem conversações que de facto estão a decorrer entre a Câmara do Porto e a Amazon, mas, neste momento, não manifestamos mais nenhuma reação que não seja essa”, assumiu o gabinete de comunicação da autarquia, citado pela Lusa.

Da parte da empresa liderada por Jeff Bezos, a resposta que o Negócios recebeu foi que tem "uma política de longa data de não comentar rumores ou especulações".

Sinais de interesse há mais de um ano

Os rumores seguem-se a alguns sinais vindos já de trás, do interesse da Amazon em investir em Portugal. 

Em novembro de 2016, a tecnológica lançou a Marketplace em Portugal, uma ferramenta para permitir às pequenas e médias empresas terem produtos seus em cinco sites da Amazon (Espanha, Reino Unido, Alemanha, França e Itália). Uma forma de a empresa contornar o facto de não ter um presença direta em Portugal. O domínio Amazon.pt, se reparar bem, não existe. 

Um outro sinal surgiu em março de 2017, quando alcançou um acordo com a Repsol para entregar as encomendas nos postos de combustíveis na península ibérica. Um projeto que seria para breve. 

Meses depois, em agosto, o Diário de Notícias citou uma nota do CaixaBI a aumentar a probabilidade da entrada da Amazon em Portugal, no curto prazo, tendo em conta "os planos anunciados pela Amazon de abrir uma plataforma logística de dimensão considerável em pleno centro da Península Ibérica".

Em novembro, os clientes da Amazon.es em Portugal passaram a ter direito a entregas gratuitas de alguns produtos, designadamente "encomendas superiores a 29 euros, assim como em encomendas de livros superiores a 19 euros", segundo uma nota que foi dirigida a Portugal.