Os gestores comerciais do balcão central do ex-Banif no Porto enviaram uma carta ao presidente do Santander Totta a pedir que sejam integrados naquele banco, tal como aconteceu com os trabalhadores das áreas comerciais do banco que foi resgatado.

A carta, a que a Lusa teve acesso, foi assinada por 17 gestores comerciais e dirigida a António Vieira Monteiro, presidente do Santander Totta, tendo seguido ainda cópias para outras entidades, como o primeiro-ministro, António Costa, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, ou grupos parlamentares.

Os subscritores da carta consideram que quando o Santander Totta adquiriu parte da atividade bancária do Banif ficou supostamente com toda a área comercial e os respetivos trabalhadores, considerando que isso não poderá ser assumido se estes gestores de clientes não ficarem também nos quadros do banco de capitais espanhóis e continuarem na Oitante, a sociedade-veículo criada pelo Banco de Portugal para transferir para aí os ativos que o Santander Totta não quis comprar.

O balcão central do Porto, explicam, foi criado em outubro de 2014 como pertencendo à direção de Rede Direta, que transitou para o Totta, mas “por força do plano de reestruturação que o Banif se viu forçado a implementar" passou a integrar o Banif Legacy Unit, a unidade do Banif com ativos para desinvestir.

É este o único argumento que o Santander Totta utiliza para não integrar os 18 colaboradores do balcão central nos seus quadros”, dizem os subscritores, acrescentando, no entanto, que essa unidade tem uma carteira com 137 mil contas de clientes que, essas sim, transitaram para o Santander Totta.

Para estes gestores comerciais, o Santander Totta tem de ficar “quer com os clientes, quer com os comerciais”. Os trabalhadores deste balcão na avenida dos Aliados, no Porto, dizem mesmo que são eles que continuam a gerir a carteira de clientes e que no mês de janeiro geraram “para o Santander Totta um total de 997,5 mil euros só em comissões”.

Aquando da resolução do Banif, em dezembro passado, o Banco de Portugal criou a Oitante e transferiu para aí os ativos que o Santander Totta não quis comprar, assim como os mais de 400 trabalhadores do Banif que pertenciam aos serviços centrais. Já o Santander Totta absorveu os cerca de 1.100 funcionários ligados à rede comercial e ainda todos os que estavam nas operações da Madeira e dos Açores.