O ex-diretor do Banco Espírito Santo (BES) Carlos Calvário revelou esta terça-feira que esteve reunido com o Ricardo Salgado e o contabilista Francisco Machado da Cruz sobre a dívida da Espírito Santo International (ESI), mas não ficou esclarecido.

«Falou-se de muita coisa mas eu não fiquei esclarecido», declarou hoje o responsável na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), citado pela Lusa.

Calvário abordou encontros já referidos na semana passada pelo ex-responsável de compliance do BES, João Martins Pereira, que indicou aos deputados que, em março de 2014, o contabilista da ESI, Machado da Cruz, lhe disse que Ricardo Salgado, José Manuel Espírito Santo e Manuel Fernando Espírito Santo conheciam os problemas da 'holding'.

O problema do passivo da ESI era sabido desde 12 de novembro de 2013, numa reunião em que participaram o ex-responsável da tesouraria do GES, José Castella, Francisco Machado da Cruz e Carlos Calvário, que o informaram de que «a dívida não estava correta».

O ex-diretor do BES Carlos Calvário admitiu hoje perante os deputados que esteve presente nessa reunião, mas não conseguiu precisar com exatidão a data.

Carlos Calvário está a ser ouvido na comissão de inquérito desde cerca das 15:00 e apresentou na sua intervenção inicial um resumo do seu trajeto profissional desde que ingresso no BES até aos dias de hoje. Atualmente, está no Novo Banco e é diretor coordenador do Departamento Técnico de Imobiliário.

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, mas foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».

Carlos Calvário reconheceu ainda esta terça-feira, no parlamento, que em 2009 a exposição do banco ao BES Angola (BESA) fez «soar as campainhas».