Um administrador da seguradora BES Vida comprou dívida do BES, integrando-a na Tranquilidade, sem autorização, a 28 de julho. «Pediu autorização para fazer a operação e nós dissemos "não pode ser assim, temos que ver" e logo de seguida dissemos que não e ele anulou a operação», começou por adiantar o presidente do ISP. Uma SMS recebida pela deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, veio a revelar o nome do administrador em causa: António Leandro Soares. 

A deputada tinha perguntado se essa operação teve lugar no período entre 18 julho e 3 agosto, dia da intervenção no BES. «Já foi com o Novo Banco», revelou José Almaça, e «foi anulada no mesmo dia». No entanto, mais tarde corrigiu: «Afinal a operação de compra de dívida foi a 28 de julho, ainda antes do Novo Banco». 

ISP ameaçou retirar licença à Tranquilidade

O regulador disse que não se recorda do valor da operação em causa e, antes da correção de calendário que fez, tinha explicado que dizia respeito a  obrigações do Novo Banco: «Quando foi feita a divisão do banco, em bom e mau, houve ativos que transitaram do BES. Nessa transição, foram títulos de dívida que transitaram do BES velho para o Novo Banco, portanto era uma aquisição de ativos desse género». 

Ao dizer que «afinal», a operação ocorreu a 28 de julho, ficou-se por aí. Não desfez este argumento. Não disse se é dívida do BES ou do Novo Banco (vinda do BES).

Quanto à autoria da operação ilícita - que foi efetivamente feita, mas morreu logo ali - a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, deu uma ajuda, depois de ter recebido uma SMS: «Há uma única renúncia na CMVM por parte de um administrador da BES VIDA, António Leandro Soares», no dia seguinte à intervenção, 4 de agosto. «Confirmo, já disse o nome», retorquiu o presidente do ISP, que tinha tentado invocar o segredo profissional para não divulgar quem era o administrador em causa. 

Na sequência desse comportamento do administrador da BES Vida, o ISP mandou, então, anular a operação. E mais: «Forçámos o administrador à demissão». António Leandro Soares veio, de facto, a demitir-se.

Mas, mais à frente, José Almaça deu o dito por não dito sobre tê-lo forçado a sair: «A renúncia foi totalmente voluntária. Não houve pressão». A segunda contradição do presidente do ISP, nesta que é a terceira audição no âmbito da comissão de inquérito ao BES e ao GES. 

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