desconto no gasóleo profissional, em postos de fronteira, para as transportadoras de mercadorias deixarem de ir abastecer a Espanha. Mas continuam a fazê-lo. Porquê? É que o o gasóleo continua a ser mais barato do outro lado, apesar da descida da carga fiscal em Portugal. Se a culpa já não são os impostos, a quem se poderá atribuir? O Presidente da Associação Nacional de Transportadores de Mercadorias (ANTRAM) diz que cabe às petrolíferas descerem as margens de lucro.

O Governo fez a parte dele e deixou de haver a velha máxima de que a culpa é dos impostos. Com a mesma carga fiscal de Espanha, as transportadoras não entendem a razão para o gasóleo continuar entre quatro e cinco cêntimos mais caro em Portugal".

Reportagem da TVI: Postos de Elvas não atraem camionistas

Neste contexto, Gustavo Paulo Duarte considera que as petrolíferas não estão a ser agressivas e "assim as transportadoras continuarão a ter que abastecer em Espanha", cita a Lusa.

Vão ter que compreender que têm que chegar a preços próximos dos de Espanha. Admitimos uma diferença de um cêntimo, no máximo de 1,5 cêntimos, devido à legislação diferente em termos de incorporação de biocombustíveis [4% em Espanha e 7% em Portugal]".

Já "mais quatro a cinco cêntimos não se compreende", voltou a frisar. Chegou mesmo a dar o exemplo da empresa de transporte de mercadorias Paulo Duarte para a qual esta situação representa "uma diferença de 65 mil euros ao final do mês".

Gasóleo profissional: como é feito o desconto?

Ainda esta semana seis dos maiores transportadores de mercadorias, associados da ANTRAM, vão reunir-se com as petrolíferas para lhes mostrar que se não abdicarem de parte das suas margem "perdem todos".

Vamos levar as faturas para mostrar o que pagamos em Espanha. As companhias têm que compreender que para vender têm que ser mais competitivas. Estamos a trabalhar para que as transportadoras passem a abastecer em Portugal e para que o Governo possa alargar o gasóleo profissional aos postos de todo o país, depois da fase piloto que decorre até ao final do ano".

O período experimental do regime de gasóleo profissional para as empresas de transporte de mercadorias arrancou a 15 de setembro, em 55 postos de abastecimento de oito concelhos, em quatro zonas fronteiriças - Quintanilha, Vilar de Formoso, Caia e Vila Verde de Ficalho.

O gasóleo tem uma carga fiscal equivalente à praticada em Espanha, ou seja, elimina o diferencial de 13 cêntimos que existia relativamente aos impostos específicos sobre combustíveis (ISP).

Com esta medida, o Governo espera aumentar os abastecimentos em Portugal - travando a fuga para Espanha - e assim compensar a devolução estimada de 135 milhões de euros às transportadoras.