A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) considera que a medida do Governo que obrigará os comercializadores de botijas a descontar o gás não consumido poderá provocar mortes, pelo que vai apresentar uma providência cautelar.

"É um incentivo para que haja mortes e não compactuamos com este tipo de situação", disse à Lusa o vice-presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), José Reis, acrescentando que a associação está a preparar um dossiê "para apresentar uma providência cautelar".

Segundo o responsável da ANAREC, existe o perigo de os consumidores "quererem colocar outro tipo de líquido nas garrafas que não seja gás", pelo que é "um incentivo que pode incorrer numa situação de perigo e de morte".

José Reis explica que, "como há pessoas que fazem das garrafas de gás churrasqueiras, pode haver consumidores que retirem a válvula de segurança da garrafa e metam líquido que não seja gás só para receber dinheiro", adiantando que "mexer nessas válvulas pode provocar mortes, porque existe pressão dentro das botijas".

Referindo que "em nenhum país do mundo existe uma coisa destas, nem em África", José Reis frisa que "é uma lei que vai causar situações delicadas", isto independentemente de serem necessárias balanças ou de como o sistema vai ser implementado ao nível da faturação.

O vice-presidente da ANAREC até concorda que "o cliente tem o direito a receber o que não consumiu, mas deveria ser adotado outro sistema" em que a segurança não estivesse em causa.

O Governo aprovou em Conselho de Ministros a obrigação de os comercializadores pesarem as garrafas de gás no ato de venda e devolverem o dinheiro aos consumidores do gás sobrante.

Além disso, os comercializadores vão passar também a ser obrigados a receber qualquer tipo de garrafa, independentemente da marca.

O mercado de botijas de gás representa 75% do gás consumido em Portugal, pois apenas 25% dos portugueses tem acesso a gás canalizado.