O presidente da Galp afirmou esta terça-feira «não perceber onde estão as rendas excessivas» no gás natural e quais os fundamentos para o Governo avançar para um reequilíbrio do contrato de concessão, mas mostrou-se disponível para cooperar com o executivo.

«Ficámos todos muito surpreendidos [com a posição do Governo], porque aqui não percebemos onde estão rendas excessivas e não percebemos os fundamentos económicos e jurídicos», afirmou Manuel Ferreira de Oliveira aos jornalistas, durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre da Galp Energia.

No domingo, o ministro do Ambiente confirmou a intenção do Governo de reduzir a fatura paga pelos consumidores do gás natural em 5% nos próximos três ou quatro anos através de um reequilíbrio do contrato de concessão com a Galp Energia.

«O Estado considera que mais-valias de quase 500 milhões de euros [segundo as estimativas do Governo] no âmbito dos contratos de aquisição na Nigéria e na Argélia e que não foram partilhados pelos consumidores (..) poderão permitir que num período curto de 3/4 anos se reduza o preço do gás natural, seja doméstico seja industrial, em quase 5%», disse o governante.

Jorge Moreira da Silva falava numa declaração aos jornalistas depois de o jornal Público ter avançado que o Governo vai abrir uma nova frente nas chamadas rendas do setor energético, desta vez com a Galp Energia, que deverão possibilitar a redução das tarifas do gás natural em valores que podem chegar aos 5% ao ano.

Hoje, o presidente da Galp disse que ouviu as declarações do ministro «como qualquer cidadão» e afirmou que a empresa «não conhece ainda a articulação económica e/ou jurídica que suporta a posição» de Jorge Moreira da Silva.

Ferreira de Oliveira disse, no entanto, que a Galp Energia trabalhará «em cooperação com Governo».