O gabinete do primeiro-ministro recusa comentar o caso da viagem de Rocha Andrade paga pela Galp, para assistir a jogos do europeu.

Contactada pela Lusa, fonte do gabinete de António Costa refere apenas que não haverá comentários e remete para as declarações de secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, o qual considera que não há conflito de interesses. Seja como for, Rocha Andrade diz pretender reembolsar a petrolífera pela viagem que lhe ofereceu. 

Sem querer tecer considerações sobre o caso, o chefe de Governo, António Costa, deixa assim de responder ao repto lançado pelo CDS-PP, a exigir a demissão do secretário de Estado e do PSD, que pediu esclarecimentos do Governo sobre a viagem, lembrando que a Galp tem pelo menos um litígio fiscal pendente de muitos milhões de euros com o Estado, em particular com um serviço que depende da tutela do próprio secretário de Estado.

E mesmo aos próprios PCP e BE que, embora façam parte da chamada geringonça, que dá suporte ao Governo no Parlamento, reagiram à polémica com crítica: os comunistas considerando uma "atitude criticável" aquela que tomou Rocha Andrade, cabendo ao primeiro-ministro, ao Governo e ao próprio tirar ilações; os bloquistas classificando de “eticamente reprovável” que governantes ou deputados aceitem “presentes que legitimem a promiscuidade com grandes grupos económicos”. Um comportamento que, defendem também, deve ter “consequências políticas”.

O Ministério Público já deu conta, em declarações ao Público, de que está a efetuar uma "recolha de elementos" sobre o caso de Rocha Andrade para depois decidir se abre ou não um inquérito.

Não foi só o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que viajou a convite da Galp para assistir a um jogo do Euro 2016. Também o secretário de Estado da Indústria confirmou que foi igualmente convidado. A diferença é que pagou um bilhete de avião.

Já diz o povo que não há duas sem três e, entretanto, o Expresso noticia que há um terceiro secretário de Estado, o da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, que também foi ver um jogo a convite da Galp. A edição online do semanário não cita fontes nem detalha em que moldes viajou. A TVI24 tentou contactar o ministério dos Negócios Estrangeiros, ainda sem sucesso.